O amor como norteador das práticas de ensino/aprendizagem

O amor como norteador das práticas de ensino/aprendizagem

Colégio Santa Maria

01 Dezembro 2017 | 07h30

Autoria: Natália Ruela

 

“Educar a mente sem educar o coração não é educar de todo.”  (Aristóteles)

 

Século XXI. Esperávamos, quando no século passado, que, no futuro, pudéssemos contar com carros voadores e uma sociedade justa, harmoniosa e feliz. Muitos, há décadas, apontavam que o caminho para a concretização dessas projeções futuras seria a educação.

Agora, que chegamos “no futuro”, podemos ver diariamente que as projeções do passado não deram certo e que estamos ainda muito distantes de conquistar todos os anseios de lá. O único ponto que se manteve comum de tudo aquilo foi o de que a educação é a possibilidade que temos para mudanças e conquistas sociais, tecnológicas, ambientais e pessoais.

Mas o que é educação? O que é ensino? O que é aprendizagem? A sensação que tenho é que, de alguma forma, nos perdemos (professores, gestores, pais e sociedade de forma geral) em tais conceitos.

O senso comum diz que a escola é lugar de ensinar e não de educar. Que a educação cabe aos pais e à escola cabe o ensino, mas será mesmo possível separar as duas coisas ou será essa somente uma forma que a sociedade encontrou de dizer, de forma velada, que a escola deve ser acrítica, meramente técnica, não deve estimular reflexão, questionamentos e sentimentos e não pode influenciar na formação da subjetividade?

Dentro desse pensamento, a escola se torna tecnicista, fria e uma mera reprodutora de alguns conhecimentos historicamente construídos, como, aliás, tem se mostrado nos últimos tempos nos mais diferentes lugares do planeta. O grande problema, no entanto, defendo, é que estamos trabalhando com pessoas, com humanos e, não, com máquinas  ou programas.  Paulo Freire, já no século passado, defendia que o amor precisa estar presente nas escolas e no processo educacional, que “não há educação sem amor” (1979), mas vivemos em tempos em que a palavra amor parece piegas, fraca e empobrecedora e, por isso, a educação de mentes parece ser a única valorizada, excluindo-se a, já prevista por Aristóteles tantos anos antes de Cristo, educação do coração.

Um ensino pautado no amor é libertador porque tem o caráter do cuidar da pessoa (aluno) na sua integralidade e penso que não devemos temer ser menos competentes por acreditar nesse sentimento como central num ambiente escolar. Pensando assim, os diferentes saberes (inclusive os conhecimentos que os alunos trazem da família – que além de educar também ensina) precisam ter espaço na educação, porque vivenciar a prática da pedagogia do amor e a multiplicidade de formas de conhecimentos favorece a educação na construção de seres equilibrados em relação aos afetos, ao conhecimento, à sociedade e à espiritualidade.

A química ensinada com amor e para o amor se torna mais eficaz e mais cheia de encantos. A literatura ensinada com e para o amor constrói mais poesias na vida. A física e a matemática com e para o amor são muito mais transformadoras. A história, a geografia, a biologia, as línguas estrangeiras e todos os “conteúdos”, com amor e para o amor, tornam-se mais humanos, mais transformadores, menos mecânicos e fazem maior sentido para alunos (e professores) e, assim, tornam-se, todos os envolvidos no processo, mais humanos e mais completos.

O professor que acredita e defende o amor como fundamental para o processo educacional escolar, pensa no humano que está a sua frente: em sua formação técnica, afetiva, espiritual, social e humana. Sem pensar assim não há como se cogitar a educação como caminho para que atinjamos a sociedade desenvolvida cientificamente, justa, harmoniosa e feliz.

 

(Fonte: imagem retirada do site: http://www.fcnoticias.com.br)