“Minha caixa, nossa escola”

“Minha caixa, nossa escola”

COLÉGIO SANTA MARIA

29 Março 2018 | 07h30

Autoria: Renata Ferrari e Sandra Evangelista

 

“As memórias, com vida própria, não ficam quietas dentro de uma caixa. São como pássaros em voo. O seu aparecimento é sempre uma surpresa! Estão espalhadas em toda a nossa substância.”

(Rubem Alves)

 

HD, o mesmo que a tecnologia denomina “espaço de memória” ou, sob o olhar do sujeito histórico, uma História Documentada.

Nosso cérebro é capaz de armazenar muitos Tera Bytes, porém como qualquer “máquina” (e a nossa, tão volátil quanto o tempo) carece de uma alternativa de armazenamento eficiente. Eis que surge tudo aquilo que registra a nossa vida em forma de documento nada burocrático, mas com a capacidade de ser puramente único e de possível compartilhamento. Se por um lado parece simples perceber assim, pela memória, os sentidos, a teia de relações, as subjetividades e emoções em dado tempo e situação, tão complexo é transformar as questões afetivas em parte intencional (e consciente) e armazená-las como numa história que percorre, que muda, mas que permanece e pode ser partilhada.

Nem só de livros vive a nossa narrativa. Ela tem voz em qualquer forma de comunicação e, por incrível que pareça, pode ter som, imagem e todos os canais sensoriais presentes: o toque, o aroma, o gosto, o olhar, o tom de vida vivida.

Nesse cenário de lembrança e revival de uma história ainda breve, mas não menos intensa, os alunos do 4º ano foram convidados a criar uma caixa de memórias escolares para celebrar este marco dos 70 anos do Colégio Santa Maria, importante espaço social e ponto de encontro presencial carregado de trocas, aprendizagens e histórias.

Durante um dia especial, desde a chegada até a partida, os alunos viveram e reviveram as suas narrativas escolares e, a partir dos relatos de experiências significativas e registros que marcam tais fatos, puderam verificar a teia de relações que o ambiente oferece na formação de sua identidade, bem como comparar eventos ocorridos, simultaneamente em espaços variados. As percepções de tudo o que envolve esse momento são surpreendentes, pois reverberam todo o processo de um indivíduo em sua trajetória, bem como sua vida entrelaçada em tantas outras.

Se fôssemos situar esse momento numa linha do tempo, poderíamos revelar o que foi esse dia da seguinte forma:

  • O ANTES – Preparação. Com pertencimento e maestria de refinamento de informações, filhos e pais conduziram uma retrospectiva de sua ação estudantil e puderam ter a chance de perceber mudanças e permanências entre os momentos históricos vividos, via objetos, registros escritos e fotográficos, entre outros elementos. Afinal de contas, a geração touch certamente não imaginava que a tecnologia pairava apenas na impressora de papel contínuo e boletins escritos à mão.
  • O DURANTE – Relatar a experiência pessoal. Em pequenos grupos, na partilha de suas histórias quase que materializadas por meio de diversas fontes, o orgulho de revelar e desvelar suas subjetividades… Era quase impossível somente ouvir e observar, era preciso tocar, rebuscar algum cheiro, algum ponto de intersecção que, ao mesmo tempo singularizava, mas trazia na fala do grupo uma única história – a certeza de que naquele espaço chamado escola, os alunos dividiram momentos que levarão para a toda a vida.
  • O DEPOIS – Constatação. A nossa história tem marcas parecidas com a história do outro, mas sua intensidade nos pertence, nos chama à responsabilidade da vida que vem pela frente. Somos um grupo certamente com vínculos mais estreitos, pois se reconhecem como personagens fundamentais na manutenção dessa memória que será inesquecível.

Que assim seja! Afinal de contas, um portador de esperança deseja viver numa sociedade com base em valores construídos e não impostos, vividos e não reproduzidos.

Somos fontes de experiência germinada pela semente do bem! Polinizamos histórias e percebemos o ciclo de interdependência sadia que a vida nos reserva, pois nos faz crescer fortalecidos e nos coloca no patamar de autor, co-autor e espectador e nenhum desses papéis é melhor ou pior que o outro, pelo simples fato de contar aquilo que EU sou, o que EU sinto e o que EU vivo.

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