Entendendo a Revolução Industrial e as consequências nos novos tempos

Colégio Santa Maria

22 Agosto 2017 | 09h26

No último dia 15 de agosto, aconteceu a palestra “Entendo a Revolução Industrial”, tendo como palestrante convidado Christian Laöe, economista de formação, com curso de extensão na Universidade de Harvard que atua no mercado financeiro há mais de vinte anos, foi Gestor de Carteira em mercados internacionais, especialmente no mercado da dívida externa da América Latina.  O momento serviu para que os alunos da EJA do Santa Maria e convidados refletissem sobre o cenário político, econômico da sociedade atual.

Traçou-se um panorama histórico, tendo como pano de fundo o intenso desenvolvimento tecnológico e suas consequências nas relações entre “capital” e “trabalho”, bem como as transformações nas relações cotidianas, que passaram a ser intermediadas, cada vez mais, pela tecnologia. Nesse sentido, problematizaram-se os impactos da globalização e da internet, que reconfiguraram os conceitos clássicos de “fronteiras”, “nações” e “emprego”.

Quanto à abordagem do tema divisão internacional de trabalho, colocaram-se ao Brasil desafios estruturais que necessitam ser atravessados para que se resolvam os “gargalos” da economia, que impedem o crescimento econômico sustentável. Nesse cenário, destacou-se a importância da qualificação da mão de obra e do empreendedorismo como estratégias para adaptar-se às novas oportunidades de trabalho, as quais vão para além das relações formais de emprego.

Num ambiente reflexivo e de conversa, os alunos se inseriram neste contexto na medida em que formulavam questões sensíveis ao seu cotidiano, tão impactado por inúmeros processos, ao pensar na robotização, crises econômicas e o desemprego. Constatou-se que hoje as empresas se transnacionalizaram e não buscam apenas mão de obra barata, mas principalmente mão de obra especializada e capacitada. Como consequência, as ofertas de vagas de trabalho diminuem com o crescimento da informatização e robotização. Especialistas ganham espaços enquanto torna-se cada vez menor a empregabilidade de trabalhadores braçais. Necessita-se não de força, mas sim de capacidade técnica e intelectual.

A economia globalizada possui grande mobilidade alterando, inclusive, a necessidade de concentrar todo o seu efetivo burocrático em um mesmo espaço. A prática do home office já faz parte da realidade de muitas organizações que visam, além da praticidade e economia de tempo e custos em locomoções, a economia de gastos em locações ou manutenção de escritórios ou departamentos. Há de se ressaltar, na fala do palestrante, a dura realidade que em breve não teremos mais trabalhadores assalariados com vínculos empregatícios , mas sim prestadores de serviços ou prestação de trabalhos autônomos, o que trará grandes mudanças na concepção de “empregados”.  Na prática, deixa de existir uma empresa que centraliza todas as diferentes etapas da produção, passando ao fenômeno da terceirização transnacional. Torna-se fundamental apontar que essas mudanças não podem ser consideradas finais dos tempos, mas sim, uma nova ordem produtora de empregos e de produção.

Diante do exposto, já podemos entender melhor o problema da geração de emprego e a questão educacional no mundo globalizado. Com a globalização da economia, que pode ser considerada um fenômeno econômico, surgem problemas em diversas áreas da “vida social”. Desta feita, conclui-se da palestra uma análise crítica e reflexiva da sociedade contemporânea e dos seus desafios, numa perspectiva otimista que instrumentalizou os alunos da EJA a serem “protagonistas “ e não “vítimas” neste mundo globalizado e tecnológico.