Duo: por que pensar em conjunto é melhor?

Duo: por que pensar em conjunto é melhor?

COLÉGIO SANTA MARIA

16 Março 2018 | 07h30

A possibilidade de experimentar – perceber uma necessidade cotidiana, desenvolver uma ideia, colocar em prática, avaliar seus resultados e aperfeiçoar um projeto – parece-nos fundamental quando pensamos em educação. Como poderíamos pensar o dinamismo do currículo, do planejamento, da relação escola-professor-aluno sem o experimento?

 

Pois bem. Partindo desse pressuposto, a Área de Humanidades em 2015 incomodou-se com a possibilidade do ensino seriado criar ambientes estanques, que inviabilizasse o trânsito entre 1ª, 2ª e 3ª série do Ensino Médio. Pensamos aqui tanto do ponto de vista do contato entre as pessoas (aluno-aluno, professor-aluno, professor-professor), como de ideias\conceitos\temas.

 

Dessa inquietação nasceu o Projeto Duo. Em nosso planejamento anual, nos preocupamos em encontrar situações nas quais uma aula com dois professores pudesse enriquecer um debate. Selecionamos, então, temas centrais e convidamos colegas de outra série para conversar com as turmas. Notem que a seleção dos temas segue uma demanda de necessidade e de pertinência dentro do currículo. Não estamos falando de um apêndice ilustrativo do curso de História da 3ª série do Médio, mas de uma experiência de fato pedagógica.

 

Por enquanto, estamos falando de uma experiência dentro das Humanidades, mas nada impede que busquemos parcerias com as outras Áreas, aliás, como já fazemos informalmente em vários momentos. Algo assim, por exemplo, acontece quando estudamos os fundamentos do nazismo do entre-guerras e, ao mesmo tempo, Biologia discute em genética os limites das teses eugênicas que nascem no século XIX.

 

Em 2016, o componente História da 3ª série convidou a professora Adriana Freitas, também professora de História e hoje coordenadora da Área e orientadora da série, para ampliar a discussão sobre o contexto da descolonização da África no pós Segunda Guerra Mundial. O debate enfatizou a diversidade do continente, os erros que cometemos quando simplificamos o processo e colocamos todas as civilizações e nações africanas num só caldeirão de análise, as sequelas da colonização e a busca de suas sociedades por soluções.

 

Em 2017 ampliamos essa experiência. Além do tema “África Contemporânea”, convidamos o professor Thiago Braz, responsável pelas cadeiras de Sociologia na 2ª série e Cultura Religiosa na 1ª, para aprofundar os estudos sobre Nazi-fascismo no período entre a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, à luz da filósofa alemã Hannah Arendt. Em duas aulas, o professor localizou a trajetória e o pensamento de Arendt e, em seguida, concentrou-se na sua definição de Totalitarismo, na sua experiência com o Nazismo – do qual fugiu em meio às perseguições político-ideológicas – e na polêmica em torno do conceito de “banalização do mal”.

 

Para o atual ano letivo, já programamos três momentos Duo.  Repetiremos o debate sobre Descolonização da África com a professora Adriana Freitas, convidamos novamente o professor Thiago Braz, dessa vez numa análise sobre Herbert Marcuse (tema que se encaixa como uma luva para a discussão que faremos em 2018 sobre as experiências de loucura e arte na década de 60 dentro do Projeto de Área) e, ampliando nossa ação, temos um convidado novo: o professor Marcos Iki, que cuida de Filosofia na 1ª série e debate o papel da música como expressão em História do Brasil num dos cursos de Currículo Diversificado oferecidos pelo Colégio Santa Maria, vem discutir com a 3ª série a produção cultural no Estado Novo (1937-1945). Estaremos, especialmente, engajados em entender como e por que a Era Vargas preocupa-se em catalogar o que é cultura popular e, particularmente, domesticar o samba.

 

A própria ampliação do Projeto dá-nos a segurança do quanto ele foi interessante para a formação da 3ª série do Ensino Médio, não só pelo retorno positivo das alunas e alunos, mas pelo crescimento na qualidade da produção acadêmica das turmas. Torcemos para que em 2018 se efetivem novas parcerias, agora em outras séries. Quem sabe estejamos imprimindo um novo logo, uma nova marca de distinção no ensino das Humanidades a partir dos espaços oferecidos pelo Colégio Santa Maria.

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