Democracia na Educação Infantil

Democracia na Educação Infantil

COLÉGIO SANTA MARIA

28 Março 2018 | 07h30

Autoria: Elizabeth Nishiyama Muniz e Karine Ramos

 

Na Educação Infantil, os direitos de aprendizagem propostos pela Base Nacional Comum Curricular –  conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer-se – são estruturados em cinco campo de experiências: O eu, o outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.

Os professores da Educação Infantil do Colégio Santa Maria incluíram nos planos educacionais intenções e ações que contemplam os direitos de aprendizagem com o objetivo de proporcionar vivências em que todos possam desempenhar um papel ativo em ambientes que convidem a enfrentar desafios, a sentirem-se provocados para resolvê-los e construir significados sobre si, os outros e o mundo social e natural.

Considerando o campo O eu, o outro e o nós, entendemos que é na interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio de agir, sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de vida, pessoas diferentes, outros pontos de vista. Conforme vivem suas primeiras experiências sociais (na família, na instituição escolar, na coletividade), constroem percepções e questionamentos sobre si e sobre os outros, diferenciando-se e, simultaneamente, identificando-se como seres individuais e sociais.

Ao mesmo tempo que participam de relações sociais e de cuidados pessoais, as crianças constroem sua autonomia e senso de autocuidado, de reciprocidade e de interdependência com o meio. Por sua vez, na Educação Infantil, é preciso criar oportunidades para que as crianças entrem em contato com outros grupos sociais e culturais, outros modos de vida, diferentes atitudes, técnicas e rituais de cuidados pessoais e do grupo, costumes, celebrações e narrativas. Nessas experiências, elas podem ampliar o modo de perceber a si mesmas e ao outro, valorizar sua identidade, respeitar os outros e reconhecer as diferenças que nos constituem como seres humanos” (BNCC, 2017, p.36).

A partir da escuta atenta dos professores em relação às crianças, surgem pesquisas que se transformam em projetos. Dessa forma, a proposta democrática transcorre de acordo com o interesse do grupo, com suas narrativas, escolhas e experiências. A partir destes movimentos, é possível coletivamente trilhar caminhos de aprendizagem e descobertas.

As crianças possuem suas próprias teorias e é preciso oferecer possibilidades para que participem do processo educativo, tanto na simples escolha dos jogos do dia, o nome da turma, os materiais que compõem os espaços, como em ações mais complexas, como por exemplo, na maneira em que tornará visível o seu pensamento sobre determinado assunto.

Esta autonomia participativa gera engajamento e resultados dentro e fora do Colégio. As famílias nos relatam que depois da ida à escola, as crianças começaram a argumentar, justificar, perceber e atuar de forma mais democrática em casa. Estes relatos de vivências nos fazem acreditar que é fundamental escutar e dialogar com as crianças, pois somente desta forma será possível viver verdadeiramente a democracia na infância, oferecendo uma imagem de um mundo desejável, mas principalmente possível. Um estar no mundo com direitos de criança!

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