Como ensinar o gosto pela leitura?

Como ensinar o gosto pela leitura?

Colégio Santa Maria

03 Setembro 2015 | 10h19

Ler se aprende lendo. Mas o que é necessário para que as crianças desejem aprender a ler? Confira dicas importantes

O ser humano já nasce com todo o aparato fisiológico para falar, a capacidade genética da sua espécie. Ler e escrever são habilidades adquiridas culturalmente. “Se uma criança ficasse privada de qualquer contato humano, cultural e social, não teria nem a necessidade dessa aprendizagem nem construiria as bases necessárias para essas habilidades”, explica a orientadora do 1º ano do Fundamental I do Santa Maria, Sueli A. Gonçalves Gomes

“O cérebro de uma criança que convive num ambiente letrado, que vê constantemente adultos lendo, manipula livros, interage nos momentos de leitura, em que pai e mãe leem para ela pode desenvolver o comportamento leitor devido aos ‘neurônios espelho”, ou seja, aprende por imitação.

E qual o papel da escola nessa aprendizagem mais formal, que ultrapassa a simples decodificação? Como se processa a compreensão do que é lido, como a criança adquire a o ritmo, a inflexão, a entonação de voz e a interpretação? E o encantamento pelos livros, a curiosidade em conhecer materiais de leitura de vários gêneros, a leitura para o estudo, para a memorização?

“Tudo isso é papel da escola, dos professores, das famílias, enfim, do acesso aos ambientes culturais que proporcionamos às crianças”, afirma a orientadora.

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Algumas sugestões para promover o comportamento leitor, o gosto pela leitura:

Aproveite momentos em família para atualizar a leitura

Você com seus livros, as crianças com os delas e conversem sobre o tema. “Além de ser importante ser um exemplo, é bacana mostrar para a criança o que está lendo. Não que ela deva ler aquele livro, mas é interessante mostrar as opções que existem de leitura”, afirma a professora Samanta Ishikawa, do 1º ano do Santa Maria.

Ofereça diferentes tipos de texto

Também é bom oferecer diferentes tipos de texto. Apesar de gerar certa insegurança, não há problema em deixar que crianças leiam conteúdo destinado a diferentes faixas etárias. “Muitas vezes, pais estranham o interesse dos filhos em enciclopédias ou livros de receitas, mas são tipos de texto que podem gerar muito conhecimento para a criança”, afirma Samanta.

Respeite o gosto do leitor

Especialmente entre as crianças mais velhas, os pais podem ter preconceitos com os gostos literários dos filhos, que tendem a se interessar por um único gênero. Estimule a leitura desses títulos, mas tente oferecer também outras opções. Leitura demais não machuca. “O fundamental é ter contato com a leitura”, afirma a professora do Santa Maria. Na hora de oferecer novos títulos, é importante conhecer a criança. Observe-a, investigue seus interesses. Acertar na hora de indicar um livro pode garantir que o pequeno se apaixone pela leitura.

Vá com calma

Não tem necessidade de cobrar que a criança termine um livro por dia. Assim como os adultos, as crianças podem ler aos poucos. Outra preocupação é não forçar para que a criança leia tudo sozinha. É possível alternar a leitura para que seja um processo mais prazeroso, mas tome cuidado para evitar um tom professoral e não ficar bombardeando a criança de perguntas como “entendeu?”. Por vezes, a leitura é apenas um momento de deixar a criatividade rolar solta.

Frequente livrarias e bibliotecas

Procure frequentar a programação de livrariasbibliotecasbienais e feiras do livro da região. Em geral, é possível aproveitar a  programação relacionada à leitura, como encontros com autores, debates e cotações de histórias. Nas bibliotecas, também é possível começar a compreender obrigações e responsabilidades.

Monte um cantinho da leitura

Crie um ambiente confortável que estimule a leitura, no qual a criança tenha acesso aos livros sempre que quiser, com iluminação adequada. Podem ser títulos emprestados em bibliotecas ou um pequeno acervo próprio. O importante é estarem à mão para estimular a leitura.

Estude a época retratada

Muitas vezes as crianças não entendem o porquê da leitura. Explorar a época em que o livro foi escrito ou o tempo que ela descreve pode gerar interesse. “Quanto mais informações você tiver sobre o livro, mais a criança fica interessada na história”, afirma Samantha.

Tablet não é só para joguinhos

Criar uma biblioteca virtual, seja no tablet ou no computador, também pode ser outra forma de estimular a leitura. Para algumas crianças, a leitura pode ser até mais rápida por conta das cores e luminosidade. “Mas o interessante é também não ficar só no digital. É bacana não ficar em uma única ferramenta”, diz Samantha.

Não deixe se tornar uma obrigação

Se tudo isso for feito, não tem erro. Mas é importante tomar cuidado para não fazer com que a leitura seja mais uma incumbência. Ler livros deve ser divertido para as crianças para que se torne um hábito para a vida toda!

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