Como educar para a reciprocidade dentro de uma era digital?

Como educar para a reciprocidade dentro de uma era digital?

COLÉGIO SANTA MARIA

17 Dezembro 2015 | 07h30

Artigo da professora do 2º ano do Fundamental I do Santa Maria, Lara Pécora Polazzo

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 É inegável que o uso das novas plataformas de comunicação e redes sociais veio para ser incorporado às vidas das pessoas. Whatsapp,  Facebook, Twiter e tantos outros invadiram o cotidiano com absurda velocidade.

 

Contudo, falta um preparo emocional para a utilização desses recursos. A impulsividade e o imediatismo vieram com os avanços tecnológicos. Nunca se teve uma geração tão ansiosa e impaciente. Em razão disso, a ética e o discernimento a respeito do que se publica muitas vezes são esquecidos. É notório o despreparo para lidar com essas possibilidades comunicativas, afinal, não fomos educados para isso.

 

Ouvimos falar de cyberbullying, violência virtual e difamação que acontecem na rede a todo o momento e as consequências morais que todos eles acarretam. Então, como preparar as crianças para que saibam lidar com essas questões? Será que utilizo essas ferramentas com responsabilidade e sirvo de exemplo para o meu filho? É preciso prepará-los de forma que não se exponham  e que também não façam isso com os outros.

 

Partindo da concepção de que a família é a principal mobilizadora de princípios morais e comportamento para as crianças, será que o adulto tem feito uso desses recursos com consciência e sem fins persecutórios? Supervisionam seus filhos quando os utilizam?

 

O chamado olho no olho foi “deletado” abruptamente do dia a dia em decorrência das ”manias tecnológicas”. Amigos reúnem-se às mesas de bares e preferem mandar mensagens a conversar e interagir com quem está próximo. A era digital nos conecta a tudo e a todos e ao mesmo tempo nos desumaniza.

 

Refletir  antes de falar sempre foi um pressuposto para conviver em um grupo social. Colocar-se no lugar do outro é o princípio da empatia. Ambos tão necessários à vida e que muitas vezes não estão presentes nessa comunicação emergente.

 

Pensar a educação ponderando a geração digital nunca se fez tão necessário. Considerando a rapidez com que as informações circulam, somos bombardeados por notícias, anúncios, boatos e muito mais. É preciso sensatez para poder reproduzir tudo o que nos chega.

 

Na antiga Grécia, Sócrates ficou famoso por sua sabedoria e pelo grande respeito que professava a todos. É dele a conhecida fábula que ensina que  podemos construir dentro de nós três filtros: O da verdade, o da bondade e o da utilidade. Antes de reproduzir uma informação tenha certeza de que é verdade. Você tem certeza ou está apenas repetindo o que disseram? Depois passe pelo filtro da bondade. Esse é o filtro do amor. Por ele passará apenas o que você gostaria que fosse dito a seu respeito ou de sua família. Por último, o filtro da utilidade. Aqui  passarão apenas as informações que serão úteis e necessárias.

 

Somos feitos de alma e precisamos semear relacionamentos verdadeiros. Vamos educar para a reciprocidade. Assim, qualquer que for a moda, teremos pessoas preparadas para todo tipo de relacionamento.