Colecionar…para quê?

Colecionar…para quê?

Colégio Santa Maria

16 Outubro 2017 | 11h42

Autoria: Gabriela Herane

Colecionar objetos pode ser um passatempo para qualquer pessoa de qualquer idade. Para isso, é preciso reunir objetos de uma mesma natureza e não apenas juntar coisas aleatórias. Por outro lado, podemos desenvolver habilidades matemáticas fundamentais na escola desde a Educação Infantil, por meio de diferentes situações-problema. Assim, as crianças constroem noções de números, quantidades e grandezas de forma lúdica. Foi com essa proposta que os alunos do Jardim II do Santa Maria voltaram das férias, trazendo uma coleção que fizeram. Com uma escuta atenta, pudemos colher informações a respeito do que tinham de conhecimento a respeito do tema:

Pedro: “Podemos colecionar coisas iguais.”

Maria Clara: “A gente acha uma coisa, vê como é e pode colecionar. Eu peguei coisas iguais para colecionar.”

Laura: “Coleção é quando a gente pega a mesma coisa e junta no mesmo pote, no mesmo lugar.”

Lorenzo: “Eu fiz uma coleção de pedras. Só tem pedras e não tem outras coisas.”

Lucca: “É uma coisa que guardamos no mesmo lugar quando temos muitas iguais.”

A partir daí, as crianças tiveram oportunidade de explorar as coleções livremente, de brincar com elas, organizá-las, realizar estimativas, contagem, agrupamento, classificação, comparação, fazer relações, pareamentos, operações simples e registro. Em todo o processo, valorizamos a escuta e a argumentação da criança, pois saber resolver uma situação-problema é tão importante quanto chegar a uma solução e, ao explicar, a criança retoma processos de aprendizagem e caminhos percorridos.

Algumas estratégias desenvolvidas ficaram evidentes nesse processo:

  • Crianças “contornando” cada elemento de sua coleção para desenhar a mesma quantidade.
  • Crianças colocando um quadradinho para cada elemento de sua coleção, fazendo o pareamento.
  • Crianças pareando duas coleções para descobrir quem tinha mais ou menos.
  • Crianças contando cada elemento retirado de sua caixa, fazendo uma fileira.
  • Crianças estimando a quantidade de uma determinada coleção e depois contando para verificar.

Essas situações nos convidam a “passear” pelas estratégias e pensamentos das crianças, extrapolando conceitos e conhecimento, mesmo sendo tão pequenos. Isso se revela em momentos de fala e escuta atenta, como numa situação em duplas, onde eles tinham que escolher duas coleções e, de alguma forma, descobrir qual tinha mais elementos…

Luiz Paulo: “A minha coleção tem mais.”

Professora: Por quê?

Luiz Paulo: “Porque tem um monte!”

Lucas: “A coleção de soldados tem mais porque a gente contou e viu.”

Lorenzo: “Tem 8 figurinhas e 6 bolinhas. Se eu tirar 2 figurinhas, ficam 6 figurinhas e 6 bolinhas, aí fica igual.”

Professora: Você sabe quantas figurinhas tem a mais do que bolinhas?

Lorenzo: “Tem 2 figurinhas a mais.”

Beatriz: “A gente contou 20 conchas e 9 dragões, então tem mais conchas, porque 20 é maior que 9. A coleção de conchas tem mais porque tem umas que não ficaram junto com os dragões.” (pareou uma a uma e percebeu que sobraram conchas sem dragões).

Laura: “A coleção de carrinhos tem mais porque tem 18 e a de gogos tem 10. A de carrinho tem 8 a mais porque 10+8 é 18!”

Enfim, as possibilidades de aprendizagem são infinitas. Além das aprendizagens voltadas para a Matemática, esse trabalho também foi permeado pelo cuidado e responsabilidade com cada coleção, pois todos queriam preservar aquilo que escolheram para colecionar, revelando um valor afetivo significativo. Além disso, as coleções ficaram disponíveis e acessíveis a todos do grupo, como forma de convidá-los a explorá-las, pois além da criança aprender com boas perguntas, aprende também com questões que ela mesma se faz ao manipular e investigar algo.