Cineclube.arte e a criação de pontes

Cineclube.arte e a criação de pontes

Colégio Santa Maria

01 Setembro 2017 | 08h00

Autoria: Rita Pisano

“Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.” – Ferreira Goulart

 

Cineclube.arte é um curso que foi criado para compor a grade de Currículos Diversificados do Ensino Médio no Colégio Santa Maria. Foi pensado para todos que gostam de arte, para aqueles que têm vontade de descobrir filmes fora do eixo comercial, conhecer outras linguagens do cinema e experimentar novas formas de criação artística.


A ideia central do curso é poder compartilhar uma experiência cinematográfica e para além de discutir o filme assistido, propor um espaço que seja possível criar artisticamente a partir daquilo que o filme despertou em cada um; ou seja, é um curso de criação em arte, de conversa entre a linguagem cinematográfica e outra linguagem artística, uma escrita, fotografia, pintura, uma cena teatral, uma performance, enfim, infinitas possibilidades são apresentadas ao grupo como caminhos para que cada um possa manifestar-se artisticamente em diálogo com uma inspiração comum inicial, o filme.

Percebo que transpor uma ideia, um conteúdo, de um lugar para o outro, de uma disciplina para outra é um grande desafio na escola. Observamos no cotidiano escolar que muitas vezes o estudante fica circunscrito apenas às referências que correspondem a uma disciplina específica e têm dificuldade de trazer outras informações e imagens conhecidas em outros componentes ou durante experiências que ele teve fora da escola para compor uma ‘ideia’, entender um contexto de forma mais completa.  As informações e experiências ficam muitas vezes desconexas e, nesse sentido, traçar pontes entre um conteúdo e outro, uma imagem e um discurso, um texto e um vídeo são cada vez mais habilidades importantes de serem desenvolvidas na escola, principalmente porque estamos inseridos numa realidade muito dinâmica, e nessa rapidez, nessa edição que fazemos o tempo todo daquilo que recebemos, muitas vezes perdemos o sentido do que estamos buscando ou fazendo e os conteúdos criados e recebidos acabam se esvaziando de sentido; embora ainda sigamos recebendo informação e opinando…. muitas vezes superficialmente.

Encontrar um sentido naquilo que vemos num filme e nos disparadores apresentados para criar algo artístico, escolher as perguntas que mobilizam uma ação, reconhecer os sentimentos que determinado tema, discussão, imagem ou símbolo nos geram, nos ajudam a descobrir um discurso autônomo e a experimentar diferentes maneiras de expressão pessoal.

“O cineclube.arte foi um curso que realmente fez diferença na forma que vejo os filmes. O principal aprendizado foi conseguir enxergar as coisas que estão por trás do óbvio do filme e, ao mesmo tempo, expressar os sentimentos e sensações que o filme me causou de um jeito artístico. Poder ver o filme com um olhar mais artístico, ou seja, se atentar às cores, à fotografia, aos figurinos e cenários fez com que a minha interpretação se tornasse muito mais rica e detalhada.” – Natalia Poliche

Conseguir transpor referências de um campo do conhecimento/vida, para outro, pode substanciar as relações reflexivas assim como dar estofo para as experiências sensíveis vividas dentro ou fora da escola são objetivos importantes do curso.  Nele, exercitamos a criação de pontes, de conversas entre linguagens artísticas.  O filme em cineclube.arte é sempre o ponto de partida, uma referência, para a criação. Essa criação segue algumas balizas apresentadas por mim, professora do grupo, a fim de nortear essa conversa entre a referência do filme e o novo fazer artístico, procurando criar um ambiente descontraído, livre e fértil para que as ideias e conversas possam surgir com fluidez e tenham um bom lugar para serem lapidadas e desenvolvidas.

Esse curso, pra mim, foi tão cheio de cultura e diversidade que fica difícil passar pra palavras. Tivemos várias propostas de trabalhos super sensacionais e importantes, assistimos filmes muito bons e intensos, debatemos sobre, aprofundamos, aprendemos sobre uma série de fatos do cinema, sobre diretores, artistas, produzimos até um curta-metragem expressionista alemão. Fizemos arte. Muita arte. E isso me alegrou durante o curso inteiro.” – Gabriela Aparício

Buscar um sentido pessoal e perceber que existem diferentes possibilidades de diálogo com uma obra de arte, sem haver uma maneira correta disso acontecer é o desafio que apresento no curso. A experiência criativa é uma porta potente para o contato consigo e para o exercício da empatia. Exercitar o diálogo em sala com os outros colegas e o diálogo consigo mesmo durante a criação abrem espaço para ações em falta no mundo contemporâneo: escuta, silêncio, tempo.