Cidades para que (quem)?

Cidades para que (quem)?

Colégio Santa Maria

15 Junho 2015 | 07h54

Estudo do meio leva alunos do 9º ano do Fundamental II do Santa Maria a conhecer as contradições do centro de São Paulo; entre as atividades, grupo analisou padrão arquitetônico da região e visitou ocupações e CRATOD

Cidade 1506_IMG_7710
Até os anos 1970, o centro tradicional mantinha sua importância. Nele estavam situados – e ainda estão – setores administrativos de empresas, aparatos do setor financeiro, comércio atacadista e varejista e órgãos públicos. Os serviços urbanos irradiavam-se do centro para a periferia, tornando-se cada vez mais escassos à medida que se distanciavam do centro. As áreas residenciais próximas à região eram consideradas nobres. Porém, essa ordenação começa a sofrer rupturas e dar lugar a novas centralidades. À medida que a cidade cresce, surgem centros secundários, provocando a pulverização do centro velho e a valorização de novas áreas.

Desse modo, boa parte dos habitantes da cidade deixa de frequentar o centro tradicional e as camadas mais abastadas buscam refúgio nos condomínios de alto padrão nas áreas periféricas e os setores de comércio, serviços e lazer passam a localizar-se preferencialmente nos shoppings centers. Assim, o centro tradicional acaba passando por um processo de desvalorização, pois encontra maior dificuldade de responder aos novos modos de vida, sofrendo, por isso, uma deterioração, tanto em termos de moradia quanto de comércio e serviços, ficando relegado às pessoas mais pobres. Desvalorizada, a região dá lugar à prostituição e ao lazer noturno marginal e de baixa renda.

Nesse quadro, os alunos do 9º ano do Fundamental II foram convidados a observar a arquitetura e o desenho urbano que tanto charme e poder deram à cidade até meados do século passado. Como esse espaço é contraditório, não poderiam deixar de conferir alguns atores que transformam o espaço urbano em um centro de contradições explícitas.

Alguns alunos visitaram ocupações de prédios até então desocupados e com dívidas enormes com o poder público, realizadas por movimentos que lutam por moradia, no sentido de mostrar à sociedade que o imóvel em questão deveria servir para amenizar um dos grandes problemas de São Paulo, que é a habitação popular e, portanto, cumprir com sua função social.

Outro grupo de alunos visitou as instalações da Companhia de Teatro Luz  do Faroeste e o CRATOD (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas), para compreender a luta cotidiana exercida tanto pelo poder público quanto por uma companhia de teatro para amenizar o sofrimento de pessoas que tiveram suas vidas destruídas pelas drogas.

Entender o conceito de urbanização de um ponto de vista qualitativo e que as diferentes paisagens, suas transformações e mutações são frutos de processos inerentes à lógica do sistema capitalista, foram os objetivos que moveu a equipe de professores a levar os alunos a conhecerem esse espaço, cujas funções, ainda que contraditórias, desempenham importante papel na vida de todos os cidadãos que habitam a maior metrópole do Brasil.

Mais conteúdo sobre:

9º anoestudo do meiourbanização