Ateliê Experimentação

Ateliê Experimentação

Colégio Santa Maria

21 Agosto 2015 | 07h00

Curso optativo do Ensino Médio do Santa Maria possibilita diversas experimentações artísticas

Rita Alvim Pisano, professora de Artes, que integra a equipe de professores da área de Linguagens e Códigos do Santa Maria, idealizou o curso considerando dois movimentos. O primeiro apresenta um artista e sua obra – imagens do trabalho do artista em vídeos, livros, power points e leituras biográficas – a fim de entender o universo que ele abarca no seu trabalho e assim identificar temáticas, perguntas geradoras e materiais utilizados. No segundo movimento surge a experimentação – produzir, reproduzir, manipular materiais, filmar, criar instalações e performances dependendo da linguagem do artista pesquisado.

Tudo o que foi produzido pelos alunos foi comentado pelo grupo para esclarecer os caminhos escolhidos para a produção em sala de aula, o que a sua obra suscita nos demais e assim gerar, aos poucos, referências de linguagem e conhecimento sobre o processo de criação de cada um.

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Os artistas escolhidos nesse processo estavam ligados de alguma forma à intervenção urbana ou a problematização de sua época. Dentre eles, os trabalhos feitos a partir de Marina Abramovich, que inspirou o grupo a fazer algumas performances e instalações pela escola, além da visita à exposição Terra Comunal no SESC Pompéia; o trabalho com a POP ART inspirado na linguagem de três artistas fundamentais nesse movimento artístico – Roy Lichtenstein, Richard Hamilton e Andy Warhol –, que gerou trabalhos com colagens, linguagem de quadrinhos, desenho, fotografia, dentre outros, e, no final do semestre, a pesquisa se concentrou no graffiti.

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O grupo observou graffitis da cidade de São Paulo, assistiu a vídeos de artistas brasileiros, ao documentário Cidade Cinza e pesquisou a obra em stencil do artista londrino Banksy a fim de começar a problematizar o graffiti na cidade. A partir dessas últimas inspirações, o artista Pedro Pisano (arquiteto e artista plástico) foi convidado a ir ao Colégio e coordenar uma oficina de stencil com a turma. Os alunos criaram suas máscaras e juntos grafitaram as produções no pátio do Ensino Médio durante o período da aula.

Esse último trabalho mobilizou profundamente os alunos, que relataram uma mudança no seu olhar para a cidade e para o graffitti em si. “Os artistas que mais me tocaram foram os grafiteiros, pois eles usam as paredes sujas da cidade para fazer uma mistura de crítica social e auto expressão”, diz Mariana Souza. Já Isabela Esquerda relata: “Eu me envolvi mais com a atividade de graffiti, pois dá um certo sentimento de liberdade, eu acho um jeito bem interessante de se expressar e imprimir em algum lugar o que você quer dizer para o mundo”.  

Esse interesse dos alunos, tanto dos que participaram quanto daqueles que não faziam parte da disciplina, mas interagiram com os stencils no pátio, mobilizaram a equipe de Linguagens e Códigos a dar prosseguimento ao trabalho e propor uma saída a todos os alunos da 1a série do Ensino Médio para conhecer mais sobre street art em São Paulo no segundo semestre. A intenção é conhecer espaços grafitados da cidade, conversar com alguns artistas e realizar algumas oficinas tanto de graffiti quanto de dança de rua.

“Olhar nossa cidade, ocupá-la conscientemente, ser afetado por ela e poder ressignificá-la são consequências possíveis de um trabalho artístico que coloca o aluno ativo no processo de criação, exercitando seu olhar autêntico e crítico”, pontua a professora.