A minoria é todo mundo

Colégio Santa Maria

05 Junho 2015 | 07h00

Projeto da 2ª série do Ensino Médio promove a comunicação interpessoal entre alunos e professores. Objetivo é contar e ouvir histórias para favorecer a convivência e o respeito às individualidades

O cenário da atualidade abriga complexas expressões de violência, preconceito e desigualdade. O sentimento do coletivo diminui à medida que a comunicação interpessoal é cada vez mais mediada por equipamentos e o conversar cai em desuso. Essa falta de aproximação direta entre as pessoas perturba severamente os processos afetivos, comprometendo de forma significativa o desenvolvimento da empatia e gerando comportamentos antissociais, agressividade e desrespeito nas relações.

Respeitar e valorizar as diferenças na convivência cotidiana tem sido um desafio em todos os ambientes sociais. Na escola não é diferente, já que é um espaço em que a diversidade toma dimensões extraordinárias. Por isso, o desenvolvimento da sensibilidade para perceber o outro e a promoção de um diálogo que considere diferenças de gênero, sexuais, raciais, culturais, religiosas, sociais e de opinião são desafios urgentes do fazer acadêmico. Cabe à escola a responsabilidade de formar indivíduos que percebam a diversidade como riqueza, construindo competências necessárias para:

  • aproximar-se do outro
  • ouvir o outro
  • propor sem impor
  • administrar conflitos
  • compartilhar outros modos de pensar, sentir e agir
  • buscar a unidade na diversidade

A questão da convivência na diferença constitui um dos eixos de trabalho com os alunos da 2a série do Ensino Médio do Santa Maria e permeia vivências, reflexões e estudos formais que favorecem o exercício do reconhecimento, respeito e valorização do outro em sua singularidade. “O objetivo é sensibilizar os jovens por meio de atividades em que percebam que, ao pensar o outro em suas múltiplas possibilidades, superam visões preconceituosas que massificam, homogeneízam e reduzem o outro a um único padrão, excluindo-o. E que ao negar as particularidades do outro, acabam negando as suas também”, explica Maria Soledad Más Gandini, orientadora da série.

Pautada na crença de que o homem se humaniza em suas relações com os outros e no pressuposto de que a arte narrativa é a arte da relação, a equipe de educadores da série escolheu o contar e ouvir histórias como ponto de partida e sensibilização para essa reflexão, promovendo uma rica troca de experiências de vida entre alunos e entre estes e os educadores.

Histórias pessoais despertam grande fascínio. Ajudam a organizar o pensar e o sentir e, na medida em que colocam o narrador em contato direto com seus sentimentos, permitem nomear necessidades e conflitos, trazendo à tona reflexões e emoções e, assim, abrem caminho para que os sentimentos possam ser vividos com menos angústia. O contar e ouvir histórias promove o autoconhecimento e também permite encontros e descobertas do outro. Ao fortalecer as conexões interpessoais revitaliza a experiência coletiva.

Emoções compartilhadas ao contar e ouvir histórias propiciam enxergar além da palavra dita e exercitar a capacidade de viver a narrativa do outro como se fosse sua, desenvolvendo sentimentos de respeito, solidariedade e pertencimento dos quais deriva a certeza de que todo mundo pertence a alguma minoria. Então, por que não integrar, ao invés de segregar?