Tema do Enem na prática: Colégio Rio Branco é referência em educação para surdos

Tema do Enem na prática: Colégio Rio Branco é referência em educação para surdos

São 40 anos superando desafios e colecionando vitórias na formação educacional de surdos

Colégio Rio Branco

06 Novembro 2017 | 19h54

O Centro de Educação para Surdos Rio Branco (CES) e o Colégio Rio Branco, reconhecidos nacional e internacionalmente como referência na ​formação ​de​ crianças e jovens surdos​​​, acolheram de forma muito positiva, o tema escolhido para a redação da prova do Enem 2017 – pela importância das temáticas de inclusão das pessoas com deficiência nas agendas políticas e sociais, especialmente nas esferas educacionais.


De acordo com dados do IBGE, cerca de 10 milhões de pessoas possuem alguma deficiência auditiva no Brasil, por isso, a necessidade de serviços e políticas públicas mais abrangentes, que sejam especialmente desenvolvidas para atender essa minoria, sejam nas escolas, universidades e outros espaços.

As estudantes surdas, Luana e Karina, que fizeram a prova do Enem 2017

Neste ano, o Enem também inovou ao oferecer aos surdos a possibilidade de ter acesso à prova traduzida em Libras, por meio de vídeo. “Nós optamos pela vídeo prova em Libras, o que nos ajudou bastante, já que Libras é a nossa primeira língua, então, com acessibilidade foi muito melhor. Foi um presente!”, explicaram empolgadas, por meio de intérprete, as alunas surdas do 3° ano do Ensino Médio da unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco, Luana Silva da Costa e Karina Souza Fabiano, que realizaram o teste no último domingo.

Apesar da Língua Brasileira de Sinais representar uma importante riqueza cultural e linguística para o país, principalmente por ser reconhecida como meio legal de comunicação e expressão desde 2002, grande parcela da população não possui muitas informações sobre a realidade dos surdos no Brasil.

Sobre o tema da redação, o professor de Língua Portuguesa do Ensino Médio do Colégio Rio Branco, Rafael Moraes, acredita que como o Enem pede um texto argumentativo e dissertativo, o grande desafio para os estudantes foi definir um posicionamento e defender uma tese com bons argumentos.

Nesse caso, por se tratar de um tema bastante específico e ao mesmo tempo amplo, o estudante teve maiores oportunidades de compensar o conjunto de ideias com uma boa finalização, fechando o texto, por exemplo, com sugestões de medidas e intervenções sociais cabíveis para a questão.

“É importante lembrar que a prova do Enem tem sempre uma função didática e o objetivo de ensinar, além de simplesmente testar. Então, é nítida a preocupação com o assunto e o desejo de mostrar a importância desse debate”, explicou Rafael Moraes.

Como acontece a formação educacional de surdos no Rio Branco?  

Crianças surdas a partir de zero ano de idade (bebês) podem ingressar no CES, passar pelas fases de estimulação do desenvolvimento e, a partir de então, cursar os  níveis escolares até o 5° ano do Ensino Fundamental.  O trabalho bilíngue é todo realizado em Libras, adotada como a primeira língua no ensino e na aprendizagem, seguido da Língua Portuguesa, na modalidade escrita.

A partir do 6° ano,  já com a autoestima e a identidade surda fortalecidas, os estudantes são incluídos, em grupos, nas salas de aula junto aos alunos ouvintes  do Colégio Rio Branco – com o acompanhamento diário de tradutores intérpretes de Libras e Língua Portuguesa até a conclusão do Ensino Médio.

O Colégio Rio Branco também oferece a possibilidade dos alunos ouvintes de todas as faixas etárias, assim como seus familiares, participarem de oficinas de Libras.

Todo esse amplo trabalho dedicado aos estudantes surdos há mais de 40 anos, além do atendimento e suporte às suas famílias, integra um dos principais braços sociais da instituição, ao contemplar mais de 100 alunos beneficiados por bolsas de estudos, mediante análise socioeconômica.

Muitas crianças começam a estudar no CES e depois no Colégio Rio Branco, tendo como opção, ainda, completar seus estudos nas Faculdades Integradas Rio Branco.

A valorização da cultura surda, o respeito à diversidade sociocultural e linguística da minoria surda fazem parte do principal projeto de inclusão da instituição. É uma de suas marcas e está na natureza do seu dia a dia, sendo um grande orgulho, já que alunos, educadores e colaboradores convivem harmoniosamente, aprendendo juntos e mutuamente.

O Centro de Educação para Surdos Rio Branco foi criado em 1977, pela Fundação de Rotarianos de São Paulo e conta com uma equipe altamente qualificada de profissionais e educadores, surdos e ouvintes, fluentes em Língua Portuguesa e na Língua Brasileira de Sinais.

Recentemente, o CES lançou a campanha “Mãos Fazendo História”, na qual a instituição está aberta para receber voluntários e doações para a ampliação e continuidade dos trabalhos de excelência nesta importante área da educação.

Mais informações: www.ces.org.br