Não basta formação: é necessário motivação para inovar

Não basta formação: é necessário motivação para inovar

Por Esther Carvalho*

Colégio Rio Branco

26 Setembro 2017 | 17h43

Imagem ilustração/Internet

Num mundo interconectado e de rápidas mudanças há que se pensar o papel e, principalmente, o modelo de escola que dê conta da formação das novas gerações. A escola tal qual temos hoje, não atende às necessidades de nossas crianças e jovens que imersos nas Tecnologias da Informação e da Comunicação, relacionam-se, pensam e aprendem e convivem de maneira diferente.

O grande desafio é que, embora o discurso inovador esteja presente nos projetos pedagógicos das instituições, as práticas em sala de aula conversam, em sua maioria, com um modelo de ensino e aprendizagem do século XIX. Esse paradigma instaurado se reflete, em maior ou menor grau, nos espaços das salas de aula com suas carteiras enfileiradas, em conteúdos muitas vezes extensos, fragmentados e de pouco sentido para as crianças e jovens, em atividades incríveis e motivadoras que, geralmente não estão nas salas de aula e sim, fora delas, nos chamados projetos extraclasse.

Na mesma linha de raciocínio, embora haja a consciência de que as Tecnologias da Informação e da Comunicação, TICs, aplicadas à educação possam proporcionar uso de diferentes mídias atendendo à diversos estilos de aprendizagem, assim como favorecer conectividade e colaboração e promover novas formas de ensinar e de aprender, essas podem, significar, apenas, uma vitrine de modernidade, de alto apelo mercadológico, mas de pouco impacto em inovação. Todo seu potencial pode se reduzir a antigas práticas com modernos recursos.

Nesse sentido, destaca-se a importância fundamental da formação de professores cuja escola em que atuam não é, e não pode ser mais, a mesma da qual fizeram parte como alunos. Os currículos propostos pelas universidades, seja nos cursos de Pedagogia ou nos cursos de Licenciatura, precisam dialogar com essas demandas. Por outro lado, o sistema educacional, nas suas diferentes esferas, precisam promover o desenvolvimento profissional dos seus quadros de professores numa política de valorização da carreira e da aprendizagem continuada. No âmbito da instituição escolar, um bom processo de gestão também tem que caminhar nessa direção. Inovação envolve pessoas.

Assim, levanta-se uma nova questão: qual seria o fator que levaria um professor a implementar novas práticas? A busca por essa resposta, sem a pretensão de esgotá-la, está na motivação para inovar. Precisamos encontrar caminhos para motivar o professor a ousar, a buscar novas e criativas formas de fazer da sala de aula, seja ela física ou virtual, um espaço de aprender e de ensinar que atenda às demandas do mundo contemporâneo. Há que se desenhar processos de formação e de desenvolvimento profissional que, desde a sua concepção, contemplem novos conhecimentos, novas metodologias e que, acima de tudo, pressuponham a aplicação dos mesmos em sala de aula. Dessa forma, poderemos encontrar a escola do século XXI pela qual nossas gerações e nossa sociedade clamam.

*Esther Carvalho é  diretora-geral do Colégio Rio Branco. Pedagoga, especialista em Tecnologistas Interativas Aplicadas à Educação e mestranda em Currículo e Tecnologia na PUC-SP. Participa de diversos programas na Universidade de Harvard, tratando do aprimoramento da qualidade da Educação e questões como liderança, gestão, ensino e aprendizagem. Ao longo dos anos, tem se aprofundado em sistemas educacionais e melhores práticas de diversos países que são referência nessa área. Autora do livro recém-lançado “Educando no Século XXI: Protagonismo, Responsabilidade Social, Formação Global”, uma coletânea de artigos que  apontam para a construção de um pensamento comprometido com a busca de respostas às inquietações da sociedade contemporânea acerca de temáticas educacionais.

 

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