Ética, tolerância e o ambiente escolar

Ética, tolerância e o ambiente escolar

Colégio Rio Branco

09 Junho 2015 | 11h41

Foto_Post_6
Por Claudia Xavier*

A escola é um ambiente em que convergem, ou pelo menos, deveriam convergir, a diversidade e a aprendizagem. É nesse espaço que as relações interpessoais se estabelecem. Muito além das competências cognitivas e da responsabilidade educativa pedagógica, há nesse locus, a oportunidade de desenvolver habilidades não cognitivas, fundamentais para a formação plena e competente do indivíduo.

Só o conhecimento acadêmico não transforma, é preciso formar para a autonomia, para a flexibilidade, para o espírito crítico, o respeito a si mesmo, ao outro e à coletividade, assim agimos de maneira a intervir na realidade. A escola traz, através de seus alunos e educadores, valores reveladores das crenças e costumes dos grupos sociais em que estão inseridos.O conflito surge como oportunidade de construção moral e formação ética. Paulo Freire, grande educador brasileiro, já dizia que o respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não  conceder aos outros.

O ambiente democrático proporciona a estabilidade das relações, nele as regras são explícitas. As pessoas têm clareza do que é negociável e do que não é negociável. Princípios não são negociáveis, fazem parte dos valores centrais dos indivíduos. Nos envergonhamos das ações que ferem esses  princípios, há o medo de decairmos aos olhos alheios. Há, também, valores que são  periféricos, mas importantes, pois permitem a negociação em  virtude do bem comum. Uma regra sem princípio é arbitrária, não humilhar o outro, por exemplo, é uma regra que deriva do princípio “respeito”.

Nesse ambiente, a sala de aula e os espaços escolares revelam leveza, bom humor, cooperação e construção coletiva das regras, a interação do sujeito é favorecida e o meio o transforma interiormente.  A restrição refere-se aos atos e não às pessoas e os seus sentimentos, a tomada de consciência do erro é fundamental para a mudança de ação, a resolução de problemas é usada para provocar as mudanças nas estruturas internas do indivíduo.

As ações pedagógicas levam a situações em que os alunos falam de si e sobre os seus sentimentos, exercitam o autocontrole e o autodomínio. Há espaço para rodas de conversa, assembleias, narrativas morais, e discussões sobre dilemas reais e hipotéticos – as experiências se adequam às faixas etárias e transformam-se em aprendizagem de valor.

O adulto tem escuta ativa e olhar atento, o professor torna-se tutor e mediador dos conflitos, a violência oral e física é coibida com segurança, firmeza e calma, as explicações são concisas, as sanções acontecem por reciprocidade. O respeito às diferenças aliado a valorização da vida transformam o ambiente em clima de cooperação e não de humilhação. Ação e consequência, observação e intervenção nas aulas e nos espaços de convivência são ações preventivas e necessárias.

Experiências educativas revelam que a criança aprende o que vive e se torna o que experimenta, o adolescente clama por limites e a autonomia não se constrói sem a cooperação do outro.

O ambiente escolar faz diferença no resultado das relações interpessoais, e é altamente determinante na construção da identidade moral. Na moral da obediência não há autonomia e sim rebeldia, não se age por consciência e sim por transgressão ou medo de ferir as regras e ser punido. No lugar da afetividade cresce a agressividade, da autoridade, o autoritarismo, e assim, a falsa sensação de controle.

Se formos livres por dentro, nada nos aprisionará por fora.

* Claudia Xavier da Costa Souza é diretora na Unidade Granja Vianna, do Colégio Rio Branco.

Acesse: www.crb.g12.br