Escolas, projetos e parcerias
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Escolas, projetos e parcerias

Poliedro

04 Agosto 2015 | 09h49

A sociedade contemporânea está diante de um grande desafio: a sustentabilidade.

Conseguiremos viabilizar a coexistência de um estilo de vida, baseado no consumo, com a finitude dos recursos disponíveis no planeta Terra? Essa é uma questão que nos envolve e interessa a todos nós, cidadãos globais. Não importa o lugar onde você mora: seja em uma grande cidade ou em uma comunidade do interior, seja em um pequeno país ou em uma grande nação, isso não importa, pois todos estamos envolvidos!

A crise hídrica que estamos enfrentando no sudeste brasileiro é só um exemplo, entre tantos outros mundo afora. O que podemos e o que devemos fazer para enfrentar essa crise? Quem se importa com o destino do planeta e a vida das futuras gerações? Precisamos com urgência elevar o nível de conscientização de toda a sociedade e apontar a gravidade da situação em que a humanidade se encontra.

Nessa tarefa, a escola pode desempenhar um papel importante, pois, entre todas as organizações públicas e privadas, é a única que tem acesso direto às novas gerações. Além de informar e conscientizar os jovens, podendo influir decisivamente na construção do futuro, a escola pode também dar o exemplo de compromisso e engajamento com a causa ambiental e ajudar a desenvolver e difundir o princípio da sustentabilidade.

Historicamente voltada para si mesma, somente preocupada com o currículo e seus conteúdos, a escola pode mudar o enfoque e buscar na realidade temas mais relevantes e significativos. Ela precisa acreditar na oportunidade de estreitar sua relação com a comunidade, dando um novo valor aos seus projetos e programas pedagógicos. Uma possibilidade é realizar uma política de responsabilidade social e buscar parcerias com organizações não governamentais, institutos e fundações, com o objetivo de desenvolver projetos que ultrapassem seus muros e possam inserir a escola em uma rede de relações sociais. Trata-se de aproximar a pedagogia dos projetos reais, conciliando conhecimento teórico e ação prática.

Vivemos em uma cidade industrial que ainda está em processo de expansão urbana. Banhada pelo importante Rio Paraíba do Sul e seus córregos afluentes, próxima da represa de Paraibuna, São José dos Campos vivencia a crise hídrica com muita intensidade. A disciplina Educação para Cidadania, do Ensino Fundamental II, desenvolve um projeto de conscientização e ação engajada sobre a crise hídrica com alunos de 7º e 8º anos. Depois da análise detalhada sobre os mais variados aspectos do uso dos recursos hídricos disponíveis, os estudantes resolveram elaborar um programa de ação duradoura.

Em busca de parcerias, a escola e a ONG Vale Verde assinaram um termo com o objetivo de desenvolver um programa de plantio e reflorestamento de árvores na região.

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A ONG consegue as mudas e a área para reflorestamento; a escola mobiliza os estudantes para a formação de mudas e para o plantio. Com o objetivo de formar as mudas, os professores de Ciências chamaram todas as turmas da escola para plantar 800 mudas por ano, e os estudantes contam com a ajuda da ONG, que fornece todo o apoio técnico com trabalho voluntário de jovens universitários para o desenvolvimento desse processo. As mudas são transpostas de um “tubete” para vasos de garrafas PET e, em seguida, transferidas para um viveiro onde irão se desenvolver por um período de 4 a 5 meses e esperar pelo plantio.

No decorrer do projeto, os alunos do módulo de programação e games desenvolveram um aplicativo para smartphone a fim de que todos pudessem acompanhar o processo de crescimento das mudas. Com um número e o nome do estudante que a plantou, a muda é fotografada e passa a fazer parte do acervo de imagens do local de reflorestamento. A experiência é gratificante e o engajamento dos jovens com a causa inspira toda a equipe de educadores.

Kadu Lambert

Coordenador do Ensino Fundamental II