Como Brincam as Crianças Modernas

Como Brincam as Crianças Modernas

Liceu Jardim

07 Julho 2017 | 13h27

Por Daniel Contro

Pesquisas mostram drástica redução no tempo em que as crianças modernas passam brincando livremente. Com o advento da televisão e das novas tecnologias, as brincadeiras livres e espontâneas perderam terreno para atividades dirigidas ou programadas.

Às crianças urbanas subtraíram-se os espaços coletivos: campinhos, praças e ruas. Também a liberdade de ir e vir espontaneamente foi furtada pela violência presente nos grandes centros. Soma-se a esse cenário a extensa agenda de atividades, imposta por muitos pais com o desejo de garantir maiores estímulos ao desenvolvimento dos filhos.

Ballet, judô, piano são exemplos dos detratores do tempo livre da infância. Todas são atividades que têm seu valor e função, não, todavia, o de substituir o livre brincar. Que dizer, ainda, das perdas do brincar sozinho? E da saga dos brinquedos que brincam sem a criança, ou dos pobres e descartáveis, que o consumismo engenha e engendra sem pudor?

O brincar livre e espontâneo tem uma função incomparável no desenvolvimento da criança. Ao permitirmos – sem a pressão de performance ou resultados – que a criança vivencie toda fantasia inerente ao universo infantil, ensejamos-lhe o mais poderoso estímulo ao seu desenvolvimento.

Asseguremos tempo livre para as crianças brincarem. Serão adultos resilientes, criativos e felizes. 

* Daniel Belluci Contro é professor de história e tem mais de 25 anos de experiência na área da Educação, com passagem pelo sistema público estadual como professor e, na esfera do ensino privado, em todos os níveis, como professor, coordenador e gestor. Foi diretor de Educação na gestão do ex-prefeito Luiz Tortorello (1989-1992) e Secretário da Educação de São Caetano do Sul (2014). É membro da Academia de Letras da Grande São Paulo.