Prontidão, palavra injustiçada

Patrícia Delázari

08 Agosto 2017 | 08h52

Quando o Horizontes foi inaugurado, a palavra Prontidão enchia o imaginário dos educadores, no que se referia à alfabetização, como se fosse algo que pudesse ser setorizado.

Com o florescimento do Construtivismo a palavra foi condenada ao ostracismo, porque durante dezenas de anos simbolizou semanticamente, a prática sistemática de exercícios psicomotores destinados ao treinamento de pré-requisitos e habilidades inerentes à fase do letramento. O termo Prontidão passou a representar para a educação o mesmo que o ovo para a saúde, até que, a neurociência esclareceu o seu verdadeiro status. Em realidade a Prontidão acompanha o desenvolvimento bio psico social do homem, em todas as fases de sua vida. Assim é, que de forma absolutamente individualizada ela está presente desde o nascimento até a morte. Ela é um processo natural regido pela biodinâmica do desenvolvimento, de cada indivíduo, sentar, engatinhar, andar, correr e tudo o mais, são competências que cada um adquire a seu tempo.

Devemos partir da premissa de que a fala é algo inerente à espécie humana e todas as pessoas, num dado momento, falarão, porque o homem é provido de um aparelho fonador pronto para ser ativado, desde que seja exposto a um grupo falante. Por outro lado, a alfabetização não é um processo natural, é um código a ser adquirido e faz-se mister que ele seja o mais próximo do natural possível, para evitar traumas, bloqueios e principalmente para torná-lo indolor, prazeroso e estimulante.

Outro aspecto importante a ser mencionado sobre a alfabetização é que ela pode ocorrer dentro da mais estrita normalidade dos dois aos oito anos; sem que exista qualquer anomalia.

Tendo em vista que cada indivíduo é único no planeta, sempre foi dever da escola montar nas classes de Educação Infantil um esquema acurado de observação, para conhecer de forma pormenorizada cada uma de suas crianças, não para homogeneizá-las, mas para facilitar seu aprendizado.

Para que sejam adquiridos os pré-requisitos de uma boa alfabetização existem recursos naturais na escola que respondem por isso, sejam eles curriculares ou sejam apenas vivenciais.

Qual é o papel da escola nesse processo fundamental de favorecimento da prontidão ao longo da Educação Infantil?

É sem dúvida manter a observação em alto nível para aferir a evolução do desenvolvimento de cada criança no que tange à motricidade geral, fina e específica, à percepção e discriminação, ao equilíbrio estático e dinâmico, à capacidade de atenção e concentração, ao ritmo de trabalho, à independência e autonomia e à sociabilização.

Outro ponto prioritário a ser acompanhado é o desenvolvimento da linguagem em seu padrão semântico fonológico e estrutural e como ponte para aquisição dos conhecimentos.

A escola que cumpre seu papel e vê chegado o momento em que a criança deveria ter adquirido habilidades indispensáveis ao prosseguimento competente de sua escolaridade e não conseguiu completamente, pode lançar mão de atividades formais e sistemáticas de motricidade, para cobrir os déficits.

Treinamento facultado pela moderna neurologia.

 

Neda Lian Branco Martins

Fundadora do Colégio Horizontes