Cálculo Mental do Cuisenaire – um grande diferencial

Patrícia Delázari

21 Setembro 2017 | 13h03

Georges Cuisenaire, nasceu na Bélgica em 1891, um final de século que acolheu o nascimento de muitos dos maiores expoentes voltados às pesquisas em educação e faleceu aos 84 anos, em 1975.

Foi basicamente um músico e professor primário, idealista, preocupado com a autonomia e com o envolvimento pessoal do aluno, em seu processo de apropriação dos conceitos, especialmente na “aritmética”.

Para comprovar suas teorias, fundou sua própria escola, nos anos 20 do século passado, na aldeia de Thuin.

A partir de 1931, começou a aplicar seu método, de cálculo mental com o uso do material concreto que criara, as barras das unidades de 1 a 10, que seriam identificadas e utilizadas pelas diferentes cores. Com essas barras coloridas introduziu conceitualmente as quatro operações, que não eram armadas, mas sim, operacionalizadas no cérebro.  Mesmo as situações problema não tinham a necessidade de cumprir o protocolo normal de enunciado, sentença matemática e resposta e eram apresentadas apenas com o enunciado e a pergunta, para serem solucionados mentalmente.

Até então, só havia como ” mágica,” a milenar técnica japonesa do Soroban, dedilhado no ábaco e que se prestava ao mesmo fim, agilizar o processo mental.

Em 1940, o método chegou a São Paulo introduzido e aplicado assistematicamente, nas primeiras escolas alemãs de São Paulo, nos momentos em que a relação entre teoria e técnica esbarravam com  dificuldades.

Treze anos depois, as barras numéricas coloridas, começaram a ser divulgadas e até comercializadas, porque Caleb Gategno, matemático inglês, estivera em contato com Cuisenaire e ficara fascinado por sua metodologia e acabou criando um manual para professores que se tornou um guia para uso das barrinhas, no mundo todo.

Em 1972, Neda Lian, fundou o seu Instituto Pedagógico de Recuperação, que se constituiu na célula precursora da Psicopedagogia em São Paulo e ali começou a aplicar pioneiramente, os módulos didáticos de atividades graduais, que seriam usados com o apoio das barras coloridas.

O resultado obtido foi surpreendente, pois as crianças e adolescentes das diversas escolas da cidade, que apresentavam dificuldade na matemática, passaram a emergir seguros e independentes, prontos a dar continuidade aos seus estudos na área.

Em 1981, ao fundar o Colégio Horizontes, Neda Lian, já com todos os módulos do Cálculo Mental impressos, largamente experimentados e com a eficácia comprovada, deu início à sua aplicação profilaticamente, nas classes regulares de primeiro ao quarto ano. Mais uma vez a experiência foi um sucesso, não só com os alunos que exigiam suporte individualizado, como com os demais que enfrentavam prazerosamente os desafios, sem limites para sua produção.

Para isso, deu inúmeros cursos e treinou exaustivamente sua equipe.

A par disso, estabeleceu dinâmicas de trabalho, com respeito ao ritmo de cada aluno e à sua total independência frente ao processo. Assim é, que até hoje no Horizontes, pode-se constatar que cada aluno, na mesma classe, pode estar trabalhando num módulo diferente, sem que isto crie qualquer situação de constrangimento, porque o prazer da emulação fica restrito ao próprio indivíduo, que compete apenas consigo mesmo. O aluno que atinge com propriedade o domínio do processo é capaz de realizar operações mentais mais rápido do que a máquina de calcular. E essa agilidade mental passa a se refletir em outras áreas, mesmo as não afins.

De todas essas particularidades resultaram algumas injunções estabelecidas pela escola e que são inquestionavelmente respeitadas:

1) os módulos, jamais são enviados como tarefa de casa, ficando sua realização, apenas, no âmbito da escola.

2) alunos advindos de outras instituições educacionais são introduzidos ao método, gradualmente, a partir do primeiro módulo, independente da série que estejam cursando.

3) essa disciplina embora curricular, não entra nas avaliações da escola, dado o caráter altamente personalizado de sua evolução. E mais, ela pode ser dispensada, porque é inerente aos desafiantes exercícios do processo.

O Cálculo Mental do Cuisenaire, ao longo dos 35 anos de vida do Colégio Horizontes, até os dias de hoje, é um grande diferencial.