Visitas a Ateliers dos Artistas

Visitas a Ateliers dos Artistas

conteúdo Escola Viva

11 Julho 2017 | 16h26

 

O Instituto Brasileiro de Museus define museu da seguinte maneira: “Os museus são casas que guardam e apresentam sonhos, sentimentos, pensamentos e intuições que ganham corpo através de imagens, cores, sons e formas. Os museus são pontes, portas e janelas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes. Os museus são conceitos e práticas em metamorfose.”

Aqui na Escola Viva, temos o hábito de levar nossas crianças para visitar essas pontes, portas e janelas. Achamos importante e significativo. Desde a fundação da Escola, há 43 anos, levamos as crianças dos grupos Vermelho (5 anos) e Verde (6 anos) aos museus (quando as mostras ampliam os temas estudados ou quando por si só se transformam num tema) mas, desde 2008 levamos anualmente também à casa de quem cria os sonhos, os sentimentos, os pensamentos e as metamorfoses que habitam os museus. Temos levado nossas crianças às casas/ateliers dos artistas. São experiências únicas, ocasiões raras em que a obra é mediada pelo seu criador. Criador que vira amigo, companheiro que divide experiências e dúvidas, que mostra maravilhas e as aproxima do dia a dia de todos nós.

 

      

Com o objetivo de proporcionar aos alunos o conhecimento do espaço real em que um artista trabalha, seu processo de criação, como ele organiza os seus materiais, se produz sozinho ou em grupo, seu ritmo de trabalho, os Vermelhos e Verdes visitam – todos os anos – ateliers de artistas da capital paulista. Neste ano, os artistas selecionados foram: Adriana Affortunatti (múltiplas linguagens), Cris Rocha e Kika Levy (gravura e pintura), Hugo França (escultura), Zé Vicente (recorte e colagem), Fernando Burjato (pintura), Sueli Massuda (ceramista), Nuno Ramos (múltiplas linguagens), Flavia Figueira (porcelana e azulejos), Talita Hamaoui (pintura), Neno Ramos (pintura) e Márcio Faria (escultura). (Conheça um pouco mais do trabalho de cada artista, clicando em seu nome.)

Antes das visitas, em sala de aula, os professores trabalharam cada artista e suas obras por meio de imagens, textos e conversas. Depois, cada aluno escolheu o atelier que tinha mais interesse em visitar e, junto com seus professores, formularam perguntas que poderiam fazer aos artistas , curiosidades que tinham sobre aquele artista e sua obra.

 

 

Os alunos foram divididos em subgrupos e cada subgrupo foi para um atelier diferente. Durante a visita, as crianças tiveram a oportunidade de entrar em contato com procedimentos, técnicas e poéticas experimentadas pelos artistas e até realizaram uma oficina prática com o auxílio deles. As crianças puderam entrar em contato com a vida de cada artista, seu cotidiano e seu espaço de trabalho. Prestaram atenção em como o espaço é organizado, materiais e ferramentas utilizadas, como os artistas armazenam suas obras, o local onde guardam seus livros, suas referências e como os espaços refletem o seu modo de pensar.

Uma iniciativa que resulta em uma experiência única, pois promove a pesquisa dos processos de criação por meio do testemunho dos próprios autores. A pessoa do artista fica mais próxima, mais real e isso também aproxima as crianças da vontade de experimentar, de criar, de se relacionar de forma poética com o mundo.

“O que é uma matriz?”, “E pra que serve uma goiva?”, “Você trabalha todos os dias?”, “De onde vem a sua inspiração?”, “Você fica inspirado todos os dias?”, “Você mora aqui no Atelier?”, “Posso fazer um quadro igual ao seu?”, “Posso trazer os meus pais aqui? Essas são algumas das perguntas feitas pelas crianças durante as visitas.

 

Quando voltaram à Escola, os grupos compartilharam a experiência de visitar ateliers diferentes. Apresentaram o material coletado (fotos, livros, anotações) e realizaram até oficinas no atelier da Escola para que outros alunos entendessem o trabalho de cada artista.

As visitas aos ateliers são, portanto, uma troca preciosa de visões, percepções e experiências, em uma vivencia significativa e aprofundada. Um aquecimento privilegiado para os ateliers cotidianos na Escola que são, segundo Flora, um momento com possibilidades de escuta, experimentação e investigação, onde as crianças se mostram curiosas, atentas, alegres, concentradas e conectadas com suas produções.

 

 

É um trabalho que valoriza o papel das múltiplas linguagens na aprendizagem das crianças e a construção do conhecimento. Dentro das linguagens expressivas, os momentos de criação possibilitam que a criança se conecte de maneira intensa com diferentes materiais, com as pessoas e a realidade ao seu redor. Além disso, possibilita ao aluno um momento de escolhas: que atelier visitar, quais perguntas fazer, que material utilizar na oficina… trazendo um exercício de identidade e autonomia.

Os ateliers dos artistas e o atelier dos alunos: arte, experimentação, descobertas, escolhas, vida!

 

 

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