Período estendido para crianças pequenas

Período estendido para crianças pequenas

Kika Almeida Mendes - Conteúdo Escola Viva

11 Outubro 2017 | 10h28

Partindo de um reconhecimento de que a família mudou, o mundo mudou, o tempo mudou, as escolas organizam-se para oferecer um período estendido para seus alunos.

Mas afinal o que mudou no mundo que leva a propor essa mudança na Escola?

Mudou a disposição de compartilhar os cuidados do filho: hoje em dia, homens e mulheres, pais e mães, sentem-se igualmente responsáveis pelos cuidados e educação dos filhos e, nesse sentido falam com as crianças – e não só delas ou sobre elas – escutam-nas, levam-nas a sério.


Mudou o olhar para as necessidades das crianças – há uma preocupação dos pais em diminuir o excesso de tecnologia na vida dos filhos (há um número muito grande de crianças inseridas na tecnologia desde os primeiros anos de vida) e em trazer de volta a importância do brincar.

Porque as brincadeiras podem mudar de época para época, mas o brincar não sai de moda.

A criança precisa do brincar para elaborar as  suas experiências, para experimentar situações que viveu ocupando uma outra posição,  para fazer parcerias, interagir.

O que a criança precisa para o seu desenvolvimento vem dos relacionamentos, da brincadeira, do corpo em movimento, de explorar o ambiente e criar brinquedos e brincadeiras. Em seus primeiros anos de vida, a criança precisa para o seu desenvolvimento de pessoas interagindo com ela, falando, cantando, brincando, ela própria explorando o seu universo, com seus brinquedos, com objetos caseiros, criando, pesquisando por conta própria.

Sobretudo, a criança precisa de tempo para brincar: tempo para brincar com seus pares, tempo para brincar só, tempo para brincar livremente… tempo…

Mas sabemos também que, para muitas famílias que valorizam o acompanhamento mais especializado na primeira infância, pesam no contexto atual aspectos como dificuldade de locomoção, pouca possibilidade de interação no espectro mais estendido da família e uma nova configuração das relações de trabalho doméstico.

Por todos esses aspectos, a Escola Viva planeja para a criança da faixa etária de 1 a 5 anos que permanece um período estendido na escola, o seu espaço de brincadeira assegurado, o contato com a natureza e o tempo de descanso. Que as crianças almocem com calma e com possibilidade de um bom descanso e, inclusive, se precisarem, de um sono reparador.

Todas as atividades propostas no período oposto ao da escola regular são planejadas tendo como princípio a importância da brincadeira, da interação mediada por educadores, da exploração sensorial, o contato com boas referências auditivas (por exemplo modelos de fala, leitura, movimento, artes, música, pesquisa, jogos) e estéticas.  Nesta etapa, uma boa estimulação da linguagem (oral e escrita) e da motricidade podem fazer a diferença nos resultados do desenvolvimento global.

Para os alunos  a partir da faixa etária de 3 anos, o projeto oferece ainda 2 horas semanais de atividades em  inglês, colocando  desta forma  as crianças em contato com esta segunda língua tão presente nos diferentes contextos hoje.

O espaço da brincadeira estimulado e pensado por educadores favorece o desenvolvimento de maior capacidade de simbolização e abstração, a linguagem oral, a observação e a escuta, o respeito às regras sociais, o raciocínio matemático e a resolução de problemas, a memória e a noção de pertencimento a um grupo e sua cultura.