Coletivos formados por jovens alunos trazem importantes reflexões

Coletivos formados por jovens alunos trazem importantes reflexões

Conteúdo - Escola Viva

23 Março 2018 | 12h54

 

Como fazer com o que a criança e o jovem se interessem pelo que ocorre para além do seu cotidiano? O que é preciso aprender para sentir-se capaz de transformar o que está ao seu redor?

 

A Escola Viva acredita que adotar uma causa é uma maneira de envolver-se em assuntos que podem ou não ser do seu cotidiano, mas sempre ampliando para uma perspectiva coletiva, com vistas ao bem comum. Independente de qual seja, se a causa faz sentido para o aluno, ele se interessará em saber mais sobre o assunto, vai se reunir em grupos nos quais outros alunos se mobilizam pela mesma razão e debater formas de transformar uma realidade, descobrindo maneiras de chegar lá. É nesse percurso que desenvolverão habilidades socioemocionais, como a empatia, a resiliência, a ética e a alteridade.

 

Inseridos neste contexto, alunos e alunas da Escola Viva, com idades entre 11 e 14 anos, estão promovendo um projeto chamado CONVIVA – Coletivos.

 

“São cinco coletivos que tratam de temas importantes sobre a Escola Viva e também sobre a sociedade em que vivemos, em discussões que vão além do cotidiano dos alunos e que possam, de alguma forma, ampliar sua visão de mundo e quem sabe até causar transformações significativas ao seu redor. Os encontros terão supervisão de nossa equipe, mas sempre com muito incentivo à autonomia e ao protagonismo.”, conta Thaís Milano, coordenadora geral pedagógica da Escola Viva.

 

O coletivo Representantes – A Escola é Viva envolve todos os alunos do Fundamental 2 em ações que promovem a construção de um espaço em que todos e todas se sintam acolhidos nas suas diferentes demandas dentro da Escola. Em suas reuniões, os representantes discutem e trabalham acerca de ações, como a conservação dos espaços e equipamentos da Escola, o melhor uso da quadra, os valores da cantina, entre outros.

 

Já o Movimentos de Passagem é um coletivo formado apenas por alunos do 9º ano, que trata de ações relativas ao fechamento do Fundamental 2 e à chegada ao Ensino Médio. “A ideia é transformar as três turmas de 9º ano em uma só, unida e integrada, com o objetivo de discutir formas de tornar ainda mais especial esta passagem tão significativa na vida de cada um deles.”, afirma Luce Diogo, coordenadora pedagógica do Fundamental 2, que dá suporte aos alunos durante as reuniões dos coletivos.

O coletivo de Rádio será voltado para o desenvolvimento e a execução de um canal de rádio, a Rádio Viva, para os horários de intervalo. Com notícias, indicações culturais e uma playlist montada de acordo com uma pesquisa sobre as preferências dos alunos, a rádio será feita exclusivamente por eles e para eles – os alunos – e irá ao ar três vezes por semana, uma delas, ao vivo.

Em Vamos falar sobre gênero?, alunos de 7º a 9º ano promovem ações que envolvem as relações sociais, culturais e políticas entre meninas/mulheres e meninos/homens.

 

No primeiro encontro oficial do grupo, o coletivo discutiu como a questão do machismo afeta tanto homens como mulheres no mundo todo e a forma como muitas meninas sofrem discriminações e situações de violência todos os dias sem nem ao menos se darem conta. A ideia é plantar uma sementinha sobre essa e outras questões de gênero, mobilizando toda a Escola a refletir sobre o assunto.

 

“Não entendo quando me chamam de ‘mulherzinha’, com a intenção de me ofender. Ser mulher não é uma coisa ruim e elas não são mais fracas do que nós por serem mulheres.”, falou um dos alunos do 7º ano, integrante do grupo.

 

A primeira ação desse coletivo aconteceu em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e envolveu todos os alunos – meninos e meninas – professores e funcionários do F2, em uma conversa em que puderam expressar sua opinião sobre igualdade de gênero, respeito, feminismo e a realidade da sociedade em que vivemos. (Leia aqui a matéria completa sobre o assunto)

 

Sobre essa ação, outro aluno colocou: “É muito importante que nós, meninos, estejamos presentes nesses encontros também. Assim, as meninas podem nos contar como se sentem, tirar nossas dúvidas, nos dar dicas e também escutar a nossa posição sobre o assunto. Desta forma, saberemos como fazer para tentar mudar essa situação.”.

 

 

 

 

 

 

 

 

De um movimento que partiu da Escola – de ensinar o aluno a se organizar e ocupar esse papel de protagonista – nasceu uma iniciativa vinda da própria mobilização dos alunos: a apresentação da proposta de criação de um quinto coletivo – de teatro – chamado Cena Viva. Alunas do 7º ano passaram nas salas, fizeram cartazes, organizaram pauta de reunião e convidaram alunos dos outros anos a participarem desse projeto, idealizado por elas. “A ideia é unir alunos que queiram pesquisar, criar, produzir e filmar cenas e que isso possa ocupar os espaços da Escola em diferentes momentos: um viés artístico dos coletivos CONVIVA.”, conta Luce.

 

“Adotar uma causa é ter um olhar integrado das disciplinas e de si mesmo. É necessário um exercício de contextualização e análise, de proposição e planejamento. É o exercício do diálogo e de escuta do que cada um tem a contribuir sobre o assunto.”, analisa Silvia Kawassaki, diretora geral da Escola Viva.

CONVIVA Coletivos: um exercício de diálogo e de escuta, que faz do aluno o protagonista de sua própria história e um ser atuante da sociedade como um todo e dos pequenos grupos em que está inserido.