As férias acabaram?!

As férias acabaram?!

Conteúdo - Escola Viva

04 Agosto 2017 | 16h41

Nada como umas férias. Não importa se os alunos viajaram, se ficaram em casa. Se fizeram muitas coisas ou praticamente nada. O importante é que durante um mês os alunos deixaram de ser alunos.

E isso, para um aluno, é fundamental.

É que o conceito de ‘não fazer nada’ é relativo. Ser filho, neto, irmão, sobrinho, filho do amigo significa conviver com pai, mãe, avó, tio, tia, amigo do pai e da mãe. E conviver significa aprender, ceder, ter jogo de cintura, pensar, repensar, se abrir, mudar, ousar, avançar e esperar.

Tem também o encontro com a solidão. Porque, nas férias, acaba a rotina de estar rodeado de uma turma inteira, pelo menos durante metade do dia. “É impossível criar sem amor e angústia, e essas duas experiências dependem da capacidade de estar só. Não se trata apenas de quietude, isolamento e esvaziamento, mas de um conjunto de sentimentos altamente necessários para a saúde mental, sumariamente: estranhar a si mesmo, espantar-se com o mundo, perceber-se contraditório, fragmentado, múltiplo, diferente de si mesmo, frágil, vulnerável, capaz de sobreviver e de ‘suportar-se’.” diz o psicanalista Christian Dunker no seu recém lançado livro Reinvenção da intimidade – políticas do sofrimento cotidiano (editora Ubu).

Enfim, ficar de férias implica relacionar-se de outras formas, com os outros e consigo e, por isso, crescer.

Claro que nem falamos daquele crescimento de vários centímetros a mais ao fim de um mês, o que para uma criança ou um jovem é também muito significativo.

É que há aquele crescimento interno. De dias passados. De pensamentos remoídos. De conceitos avaliados sem a pressão de uma prova, de um trabalho, do julgamento dos colegas. De alegrias e constrangimentos vividos. Mães e pais exploram toda a sua capacidade de produzir bons momentos cheios de bem intencionados ‘micos’ nas férias. É, ser filho tem dessas coisas. Ter que passar pelos ‘micos’ dos pais. Dá até saudade da escola.

Enquanto isso, na escola, dá muita saudade dos alunos.

Nas férias a escola não para. É o momento de fazer reformas e manutenções impossíveis de levar a cabo com os alunos em aula. É o tempo de planejar coisas novas para esses alunos. É o tempo em que dá tempo de pensar nos detalhes, nas ousadias, nas provocações que podemos oferecer aos alunos no próximo semestre. Um semestre sempre cheio de desafios, este segundo. Um semestre em que tem que caber tudo. Porque as férias de janeiro são muito diferentes das férias de julho. As de julho têm o caráter de pausa, de suspensão. As férias de julho são o tempo da reflexão, em que estudo e lazer estão misturados: são um hiato, um recreio muuuuuuuito alongado. Já as férias de janeiro marcam o fim de um estágio e a passagem para outro. Para que esse fim aconteça a contento, o segundo semestre é intenso!

Vamos a ele!