8º ANO ENTREGA LIVRO DIDÁTICO PARA REPRESENTANTE DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS DO VALE DO RIBEIRA

8º ANO ENTREGA LIVRO DIDÁTICO PARA REPRESENTANTE DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS DO VALE DO RIBEIRA

Conteúdo - Escola Viva

23 Janeiro 2018 | 11h05

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em maio de 2017, os alunos e alunas do 8º ano da Escola Viva participaram do Estudo do Meio para o Vale do Ribeira. Nessa ocasião, conheceram três comunidades Quilombolas: André Lopes, Ivaporanduva e Sapatu.

Como em anos anteriores, os alunos voltaram dessa experiência comovidos e emocionados com as histórias que escutaram e com as pessoas que conheceram, todas elas descendentes de pessoas escravizadas, vivendo em comunidades rurais.

Conheceram a luta dos Quilombolas pelos seus direitos de terra, pela valorização de sua cultura tradicional e conhecimento ancestral e pelo desenvolvimento de alternativas econômicas que valorizem sua terra e sua cultura.

No entanto, este grupo de jovens estudantes foi além. Voltou com uma bagagem ainda mais completa, carregados de vontade de – de alguma forma – fazer parte da luta dos quilombolas e, assim, ampliar as formas de empatia, reconhecimento, gratidão e troca.

A primeira ideia do grupo foi realizar um evento na Escola e envolver toda a comunidade na história dessa gente que, mesmo de longe, tornou-se parte da vida de cada um dos alunos e professores do 8º ano.

Algumas alunas criaram até um perfil no Instagram para apoiar a causa Quilombola, como contamos em uma matéria anterior.

Havia uma necessidade de compartilhar uma narrativa que não está nas histórias que aprendemos nas escolas brasileiras. Uma narrativa protagonizada pelos Quilombolas.

 

Da escuta das necessidades e potências dos alunos e alunas, das idas e vindas às comunidades Quilombolas, nasce do Diego Amado, professor de História, a ideia da escrita de um livro que contemplasse as histórias não contadas e até mesmo apagadas das narrativas históricas do nosso país. A ideia reverberou para as aulas de Língua Portuguesa, com a professora Gabriela Terra, e de Geografia, do professor Anuar Abussamra, contaminou a Coordenação e outros setores da Escola e, quando vimos, todos e todas vibravam diante da ideia.

Em cada aula do projeto, os alunos e professores se aprofundavam na potência da escrita. Foram muitas aulas de pesquisa, de resgate das memórias, de retomadas para a elaboração de uma escrita que significasse a voz do Ditão, do Ivo, Zé Rodrigues, Andrea, Maurício, Dona Cecília, Dona Esmeralda, Seu João Rosa e de tantos outros Quilombolas.

Os alunos escreveram e fizeram todas as ilustrações do livro com base, além de em pesquisas aprofundadas, nos relatos que eles mesmos fizeram das experiências que viveram no Estudo do Meio, como este no vídeo a seguir, feito pela aluna Luísa Ferreira, do 8ºB, na aula de Foto e Vídeo, do professor Paulo Mendes:

 

 

Entre os temas tratados no livro estão a formação dos Quilombos no Brasil, o modo de vida Quilombola, as políticas públicas para as comunidades Quilombolas, titulação do territórios, conflitos e ameaças vividos pelas comunidades, a formação dos quilombos no Vale do Ribeira, tradições culturais, ameaças, escolas Quilombolas, turismo, desdobramentos da abolição da escravatura para a população negra, entre muitos outros.

Quando o livro – que recebeu o nome de “Uma história dos Quilombolas no Vale do Ribeira” – ficou pronto, no final do ano passado, os alunos convidaram os representantes das comunidades Quilombolas para virem até a Escola, para receberem o livro e conhecerem o trabalho realizado pelo 8º ano após o retorno do Estudo do Meio.

A formalização da entrega do livro para os representantes das comunidades Quilombolas foi um momento especial. Os alunos receberam na Escola, além dos pais, a visita de Ivo Rosa, representante da comunidade de Sapatu, que falou sobre a importância de um assunto como esse ser discutido dentro das escolas brasileiras.

Alguns alunos do 8º ano leram os discursos que prepararam, contando um pouco sobre o processo de escrita do livro e sobre como essas pessoas mudaram sua a maneira de enxergar o mundo. De olharem para o outro e para eles mesmos.

 

Durante a entrega do livro didático, os alunos também entregaram para Ivo outros livros que ampliam as referências negras e de sua cultura na educação do nosso país, escolhidos pela coordenadora Luce Elena – que também coordenou o projeto do livro – durante a FlinkSampa – Festa do Conhecimento,  Literatura  e Cultura Negra – no dia da Consciência Negra. Também no evento, os alunos apresentaram uma música composta por eles sobre o tema dos Quilombolas e também entregaram para Ivo uma linha do tempo com a “História da luta pela terra no Brasil”.

Assista a seguir o vídeo com alguns momentos importantes deste dia que vai ficar para a história dos alunos do 8º ano, da Escola Viva e das comunidades Quilombolas.

Como disse Diego, ver os alunos mergulharem e irem tão fundo na discussão de um tema tão sério para a nossa sociedade quanto o racismo e a titulação da terra quilombola – que aparentemente parecia algo tão distante de todos eles – tem uma importância gigantesca para os professores, a coordenação e as família, e faz com todos sintam-se plenos e emocionados.