Criança bilíngue: ensinar outro idioma afeta o desenvolvimento?

Criança bilíngue: ensinar outro idioma afeta o desenvolvimento?

Colégio Bis

12 Setembro 2017 | 13h03

Ainda nos dias atuais, algumas pessoas acreditam que a aprendizagem de um segundo idioma na infância acarretará um atraso no desenvolvimento linguístico da criança, mesmo que não existam estudos que comprovem isso. Elas afirmam que alguma palavra entre os dois idiomas poderá ser confundida. Porém, vale destacar que a situação é normal e com o passar do tempo, essas pequenas falhas desaparecerão.

Vem de muito tempo a preocupação de pais e educadores que o bilinguismo precoce afete o desenvolvimento cognitivo e de linguagem das crianças. Em meados do século XX, o ponto de vista predominante era de que a aquisição de uma segunda língua no início da vida confundiria a criança e interferiria com sua capacidade de desenvolver funções cognitivas normais e de ser bem-sucedida em ambientes educacionais.

Porém, após vários estudos, essas ideias passaram por uma reversão radical, e o oposto do que se acreditava até então foi demonstrado. Na verdade, no geral, há uma superioridade geral de bilíngues em comparação com monolíngues em uma grande variedade de testes de inteligência e de aspectos de desempenho escolar

A questão do impacto potencial do bilinguismo sobre o desenvolvimento infantil manifestou-se cada vez mais forte nas sociedades modernas, como o Canadá. Além do comprometimento oficial com uma política nacional de bilinguismo e aquisição de um segundo idioma, a imigração transformou o país norte-americano em uma nação rica em termos de bilinguismo e multiculturalismo.


É importante destacar que, para haver benefício da aprendizagem de leitura em dois idiomas, é necessário que as crianças sejam bilíngues, e não simplesmente aprendizes. Em comparação com crianças monolíngues, as bilíngues evidenciam vantagens significativas na resolução de problemas que requerem controle da atenção a aspectos específicos da formulação. Essa vantagem não se limita ao processamento de linguagem, mas inclui uma diversidade de tarefas não verbais que requerem controle da atenção e seletividade em problemas.

O bilinguismo é uma força positiva, que promove o desenvolvimento linguístico e cognitivo das crianças. Ele melhora o acesso à leitura e escrita quando os dois sistemas são correspondentes, assim como o desenvolvimento de processos executivos, de maneira geral, na resolução de problemas que demandam atenção e controle. Essas habilidades executivas de controle são nucleares no pensamento inteligente.

As evidências sobre os efeitos predominantemente positivos do bilinguismo apontam para o importante papel das escolas no provimento de meios para que essas crianças desenvolvam suas habilidades linguísticas de forma a ter participação integral na sala de aula, a fim de usufruir dos benefícios mais positivos de sua experiência educacional.