Tóquio: tradição oriental e modernidade

Tóquio: tradição oriental e modernidade

Andrea Tissenbaum

02 Maio 2017 | 08h45

Tokyo University | Foto: Hibaby, via Wikimedia Commons

Saiba como é estudar na também chamada “Capital do Leste”, onde a experiência universitária oferece excelência acadêmica, riqueza cultural e muito mais!

Tóquio, a capital do Japão, está localizada na maior ilha do arquipélago que forma o país, Honshu. Acomoda quase dez por cento do total da população japonesa.

A metrópole é a área urbana mais populosa do mundo e tem 560 anos. Em 2016, a revista Monocle elegeu Tóquio como a cidade mais habitável do mundo pelo segundo ano consecutivo. Oferece uma excelente qualidade de vida aos seus residentes, trabalha duro para se tornar mais sustentável e tem um custo de vida relativamente acessível. Além disso, é segura, com índices de criminalidade baixíssimos.

Vista de Shinjuku, Tóquio | Foto: Morio, via Wikimedia Commons

Tóquio será a sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos em 2020. Passará por reformas e revitalizações para ficar ainda melhor, com o intuito de receber um número gigantesco de turistas de todas as partes do mundo.

Respeito é parte integrante da cultura japonesa, que valoriza muito suas tradições e costumes. Um deles é o cumprimento com reverência, aquele em que você se curva levemente para a frente. No Japão, é usado para cumprimentar, se despedir, agradecer e se desculpar. Tirar os sapatos antes de entrar em uma casa ou templo, também é um sinal de respeito.

A reverência | Foto: Akkupa, via Flickr

Thaís Leão Marques, paulista de Bragança, formada em Administração e criadora da DORO programas de autoconhecimento, estudou em Tóquio. Cursou o segundo ano do ensino médio e retornou ao Japão para estagiar quando estava na faculdade. “Há uma ética implícita nas relações, o respeito é mesmo muito valorizado. É uma reverência que não está relacionada apenas à hierarquia, mas que faz referência à experiência e sabedoria que o outro carrega. Percebi isso claramente em minha escola e quando estagiei em uma empresa. Eles são muito regrados e comprometidos com o tempo que você dedica ao trabalho, porque entendem que você também tem outras coisas para fazer. Acho essa visão interessante, cria laços fortes e você cresce com as pessoas na empresa onde está, sem medo”, ela conta.

“Tive a oportunidade de visitar algumas empresas grandes durante meu intercâmbio cultural, como a Pfizer, a TBS – Tokyo Broadcasting System e uma seguradora. Os diretores eram amigos de um dos meus pais hospedeiros. Existe um bom senso, uma boa-fé e uma ética implícitos nas relações. Isso fica claro quando você vê como os contratos são curtos, porque não é necessário escrever coisas que são consideradas óbvias. Eu achei isso muito impactante. Quanto menos regras, quanto menos coisas escritas ali, mais auto-responsáveis as pessoas são por suas ações”, complementa.

Cerejeiras, Ueno Park | Foto: Lena Sinex, via Flickr

Geishas, samurais, cerejeiras, jardins. A cultura japonesa é muito ampla e rica. Em Tóquio, visite os templos budistas e santuários famosos, como o Meiji e o Sensoji. Parques e jardins, como o Ueno e o Yoyogi estão por toda a cidade. Não deixe de conhecer a Torre de Tóquio e o Palácio Imperial.

Geishas | Foto: Kieran, UK – via Flickr

A moda também é um ponto forte. Fashionistas costumam se vestir de forma colorida e extravagante. Se você tem interesse por moda, visite o bairro Harajuku, famoso pela sua street fashion, que vai do estilo Lolita ao punk e cosplay.

Harajuku | Foto: K Hardy via Flickr

Extremamente popular pelo mundo, a culinária japonesa é peculiar. O arroz, uma de suas principais marcas, acompanha diversas refeições e pratos famosos. Outro protagonista é o peixe, comido de todas as formas possíveis – até vivo! Se você é apaixonado por culinária, com certeza se deliciará durante os seus estudos.

A partir de 1947, a educação infantil e fundamental se tornaram obrigatórias no Japão. Depois disso, são mais três anos de estudos para completar o ensino médio. O processo seletivo para o ensino superior no país é muito competitivo, embora mais de 75% dos estudantes avance para as universidades ou cursos profissionais.

Waseda University | Foto: Kadidai, via Wikimedia Commons

Há certas diferenças bem marcantes entre a educação ocidental e a oriental. O sistema ocidental preza a criatividade, a participação em sala de aula, o individualismo e o autoconhecimento. Já no oriental, valoriza-se esforço e resultado. Para eles, nada é impossível se você se esforçar e praticar muito. As aulas costumam ser bem menos interativas e os estudantes escutam o professor, sem participar ativamente. Para ser bem-sucedido em grupo, o indivíduo precisa seguir os valores, princípios e opiniões já consolidados.

A educação no Japão costumava ter características enraizadas na cultura oriental, como ênfase na disciplina e tradições. A intenção atual do governo é reestruturar esse modelo mais “rígido”, passando a enfatizar a liberdade e a criatividade. Semelhante à educação ocidental, sem deixar de perder o conhecimento e a seriedade.

Tokyo Institute of Technology | Foto: 03, via Wikimedia Commons

Ao mesmo tempo, o governo quer priorizar a educação internacional como uma forma de crescimento econômico e internacionalização do país. Em 2012, 140 mil estudantes internacionais estavam matriculados em instituições de ensino japonesas. O país quer dobrar este número até 2020. Por este motivo, as universidades estão colocando em prática iniciativas para atrair mais estrangeiros. O processo de seleção foi simplificado, e medidas para aumentar a perspectiva profissional no país após o término dos estudos estão sendo tomadas.

Thaís conta que estudou na Aoyama Gakuin uma escola centenária, de tempo integral. “Vi de perto a importância que o japonês dá aos estudos, às relações e ao desenvolvimento integral do aluno. Há uma preocupação em trabalhar todas as partes do indivíduo. O esporte é valorizado e você é incentivado a participar de algum clube cultural, para sair do conteúdo da sala de aula”.

A University of Tokyo (conhecida também como Todai), foi a primeira Universidade Nacional do Japão, criada em 1877. É a mais importante do país e internacionalmente reconhecida. Com cinco campi, recebe aproximadamente 2.100 estrangeiros anualmente.

Tokyo University of Science | Foto: ジダネ, via Wikimedia Commons

Tóquio tem outras excelentes universidades nacionais, públicas e particulares. Várias delas muito bem ranqueadas internacionalmente: Tokyo Institute of Technology; Waseda University; Keio University;  Tokyo Medical and Dental University (TMDU); Tokyo Metropolitan University; Hitotsubashi University; Yokohama City University; Tokyo University of Agriculture and Technology; Yokohama National University; Tokyo University of Science; Ochanomizu University e Aoyama Gakuin University.

Aoyama Gakuin University | Foto: ペン太, via Wikimedia Commons

Mais de 800 cursos acadêmicos são ministrados em inglês. No entanto, se sua intenção é aprender japonês e cursar uma graduação ou pós na língua oficial, as universidades oferecem cursos preparatórios para estudantes internacionais. E mesmo que você prefira um curso em inglês, pode fazer aulas de japonês durante seus estudos e ganhar proficiência avançada nos dois idiomas!

Se você já completou o ensino médio (totalizando 12 anos de estudos desde o fundamental) e tiver mais de 18 anos, pode se inscrever em uma instituição de ensino superior do Japão.

Tóquio | Foto: Moyan Brenn, via Flickr

“Para estudar, Tóquio é um lugar incrível”, conta Thaís. “As instituições de ensino têm tecnologia de ponta e um ambiente muito receptivo. Eles adoram estrangeiros. Essa história de que o japonês é frio é bobagem. Podem não demonstrar afeto fisicamente, mas são pessoas bastante sensíveis e intensas internamente. Lembro muito da minha mãe hospedeira dizendo que me amava. Os sentimentos são expressados de uma outra forma. Se você for ver os filmes do Akira Kurosawa, referência do cinema japonês, vai perceber essa intensidade. Eu me surpreendi muito com o povo japonês. Acho que para um lugar de estudo é ‘o lugar’, para você não ter apenas uma experiência acadêmica. O lado espiritual deles é muito bonito. Eu vivi a mistura das religiões e tradições nas casas das quatro famílias com as quais morei e que me fizeram refletir sobre o que é a conexão espiritual, muito especial”, complementa.

Pessoas rezando no Templo de Sensoji | Foto: Maarten Heerlien, via Flickr

Você vai precisar de um visto de estudante para estudar em Tóquio, e pode solicitá-lo enviando sua inscrição e documentos obrigatórios ao consulado japonês mais próximo, ou diretamente à universidade de sua escolha. Também precisará de um Certificado de Elegibilidade – Zairyu Shikaku Nintei Shomeisho – que serve para indicar que atendeu a todos os requisitos da universidade e regras de imigração do país.

O Japão tem uma embaixada em Brasília, consulados oficiais em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Manaus, e Belém e escritórios de representação consular em Porto Alegre e Recife.

Tóquio é um excelente destino para quem tem interesse em finanças, economia, política e tecnologia. A cidade também é uma potência mundial nos setores petroquímico, automobilístico e de telefonia móvel. Definitivamente, um lugar para quem quer viver uma imersão cultural de alto padrão.

Shibuya | Foto: Benny Ang, via Flickr

“Guardo a imagem de um caos organizado – muita gente na rua, muita coisa em tudo que é lugar”, finaliza Thaís. “O espaço é pequeno então a verticalidade é explorada, para cima e para baixo, nos subsolos. Tem um mundo embaixo do chão que a gente passa a frequentar, porque faz parte do cotidiano das pessoas. O transporte publico é muito eficiente, tem uma malha magnífica de metrô, trem e trem bala. Às vezes, você tem a sensação de estar em um formigueiro humano. Mas tudo funciona, é organizado e muito seguro. Se você deixar sua bolsa largada em Shibuya, o centro super populoso, você vai encontra-la, sem dúvida nenhuma. Estudar em Tóquio foi uma experiência marcante, sensacional”.

Sites valiosos para quem vai estudar em Tóquio: : Study in Japan e Jasso.

>> Saiba mais sobre bolsas de estudo no Japão AQUI.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais. 
Entre em contato: tissen@uol.com.br

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