Qual a melhor idade para estudar fora?

Qual a melhor idade para estudar fora?

Andrea Tissenbaum

10 Janeiro 2015 | 10h26

Foto: Andrea Tissenbaum

Foto: Andrea Tissenbaum

Volta e meia alguém me pergunta qual a melhor idade para estudar fora do país. Pais que estão pensando em mandar seu filho/filha para um intercâmbio durante o ensino médio, alunos universitários, profissionais que querem voltar a estudar. E, eu fico com essa interrogação na minha cabeça – melhor idade, será que existe uma idade mais adequada para passar um tempo fora do país estudando?
Acho que existem aproveitamentos diferentes da experiência de viver fora do país como estudante. E resultados diferentes, porque os momentos das pessoas são incomparáveis.
Mas, independentemente da idade, as motivações e os projetos de cada um devem estar bem claros. Para aproveitar ao máximo a experiência que, numa quase que unanimidade de opiniões, é incrível!

1. Passando um tempo fora na adolescência – intercâmbio no “High School”:
Estudar no exterior por seis meses ou um ano durante o ensino médio é um desafio e tanto. De repente, o cotidiano muda radicalmente: moradia com uma nova família ou em um alojamento, um novo idioma e uma nova escola. São mudanças significativas que exigem muito jogo de cintura! Se ajustar a uma nova cultura, fazer amigos locais, atender às regras da família ou do alojamento da escola. E, provavelmente se deparar com as mais diversas restrições relacionadas a sua faixa etária.

Mas, também é uma oportunidade incrível de aprender a se virar um pouco mais por conta própria, amadurecer, se tornar mais fluente em um novo idioma, fazer amigos internacionais, “mergulhar” nos hábitos e comportamentos de um novo país.


Várias agencias/empresas oferecem programas de intercâmbio no “High School”. O jovem viaja com todo o apoio, um contato local permanente e a possibilidade de fazer mudanças, caso elas sejam necessárias. Vale a pena fazer uma busca para encontrar a agencia/empresa mais adequada às suas necessidades e possibilidades.
Viajar de uma forma mais estruturada nessa faixa etária pode ser mais favorável. Saber que tem alguém por perto para ajudar é bom.

DICA IMPORTANTE: O período em que o jovem estuda no exterior pode ser revalidado no Brasil. Antes de viajar converse com os coordenadores da sua escola e conheça as exigências!

BOLSAS DE ESTUDO:
Confira as oportunidades oferecidas pelo Rotary Club

2. Passando um tempo fora durante a faculdade – intercâmbio universitário:
Costumo dizer – até hoje – que o tempo da faculdade é mágico: é a entrada no mundo adulto, o primeiro contato com a vida profissional, de experimentar e de ir atrás dos seus interesses (sejam eles quais forem). É um momento em que o jovem já está um pouco mais velho, tem mais liberdade para ir e vir e pode fazer escolhas. Resumindo, estudar fora durante a faculdade/universidade é um privilégio.

Normalmente, o intercâmbio universitário é de seis meses. Mas, para alguns alunos essa experiência se estende por um ano. Qualquer uma das duas opções é altamente positiva. Mas, vale ressaltar que um ano fora propicia uma imersão diferente, mais profunda. É uma extensão de um momento em que você, que já se encontra quase que totalmente adaptado, fica. E passa a vivenciar como um “quase local” o dia-a-dia em um outro país.

Para a maioria dos jovens brasileiros, esta é a primeira experiência longe de casa. Moram no “housing” da universidade ou dividem moradia com pessoas de outros países. Ganham jogo de cintura, aprendem a “se virar”, como adultos. Estudam com locais e com intercambistas de todas as partes do mundo. Aprendem um novo idioma, ficam mais fluentes. Fazem amigos nos lugares mais inusitados, em geral para o resto da vida. Tem que se superar, vivenciar a comunidade internacional, conhecer os hábitos locais e se entender no meio dessa deliciosa confusão. E a experiência internacional é um “plus” no mercado de trabalho.

Quase todas as universidades e/ou faculdades públicas ou privadas tem programas de intercâmbio para os seus alunos atualmente. Vale a pena buscar a coordenação de intercâmbio de sua instituição de ensino para saber o que é oferecido.

Se a sua faculdade/universidade não oferece este tipo de programa, não desanime, existem outras possibilidades (abaixo, algumas delas):
• Programas de intercâmbio da AIESEC, a maior organização estudantil do mundo.
• Site Estudar Fora, da Fundação Estudar – informações atualizadas sobre oportunidades de intercâmbio universitário oferecidas por diversos países.
Programa Ciência sem Fronteiras – se estende também a jovens que estudam em instituições de ensino que não tem parcerias internacionais. As solicitações devem ser feitas via coordenação de departamento e/ou Reitoria.
• Diversas agencias/empresas especializadas também oferecem intercâmbios universitários. É necessário fazer uma busca para saber qual delas é a mais adequada às suas necessidades e possibilidades.

3. Passando um tempo fora mais velho, já formado ou já profissional – a pós graduação no exterior:
Esta é uma experiência que eu considero extraordinária. Especialmente porque o tempo fora é mais prolongado – de um a quatro anos (ou mais) – e a imersão em uma outra cultura é absoluta.
E sim, alavanca muito a vida profissional. Fazer uma pós-graduação fora do país é diferente. A dedicação é exclusiva. O nível de exigência e cobrança é enorme e o mergulho nos estudos é profundo. Exige da gente uma ruptura de paradigmas!

Não tem idade para fazer uma pós-graduação fora. Você terá colegas de todas as faixas etárias, experientes e com ideias próprias. Todo mundo está no mesmo barco. Todos querem estudar mais, se abrir para novos conhecimentos e se especializar mais. Cria-se uma “comunidade de alunos de pós-graduação” composta de locais e estrangeiros, curiosa e inesquecível.

Se você vai sozinho, encontrará muitos colegas na mesma situação. Se vai com a sua família (já casado(a) com filhos), enfrentará novidades no cotidiano (adaptação e oportunidades para os familiares) que serão uma lição de vida para todos. E, entenderá que você vai se reinventar. Afinal, já está formado, já tem alguma (ou muita) experiência profissional e vai conviver com pessoas do mundo todo que também já ingressaram no mercado em seus países e tem uma história para contar.

Para conhecer algumas oportunidades/bolsas de estudo no exterior para pós graduação, leia a matéria Bolsas de Estudo no Exterior: oportunidades! postada neste blog em 24/12/2014.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Siga o Blog da Tissen no Facebook e no Twitter