Estudar e pesquisar na Alemanha

Estudar e pesquisar na Alemanha

Andrea Tissenbaum

31 Outubro 2017 | 08h01

Estudar e pesquisar na Alemanha | Foto: Mellany Pawda

Estudar e pesquisar na Alemanha | Foto: Mellany Pawda

Mellany Prawda, criadora da página Tipps – Dicas para Estudar e Pesquisar na Alemanha, no Facebook, conta sua experiência como bolsista no país. 

Excelentes universidades, custos baixos e alta qualidade de vida, fazem da Alemanha um destino ideal para quem pensa em estudar ou pesquisar no exterior.

São mais de 380 universidades e 17 mil programas de ensino dos quais vários são em inglês. Além disso, as universidades públicas são gratuitas para estudantes internacionais que querem fazer uma graduação ou um doutorado.

É verdade que algumas instituições de ensino da região de Baden Wurttemberg re-introduziram a cobrança de mensalidades para alunos não europeus. Mas os valores ainda são muito razoáveis, em média 3 mil euros por ano.

Um outro aspecto muito positivo de estudar e pesquisar na Alemanha é a constante oferta de bolsas de estudo concedidas pelas universidades, fundações e instituições governamentais.

Foi com uma dessas bolsas que a advogada baiana, Mellany Prawda, foi para Hamburgo no final de 2013. Formada em Direito pela Universidade Católica de Salvador, UCSal, ela foi bolsista de Iniciação Científica (PIBIC) pela FAPESB durante sua graduação e participou de diversos concursos, sempre ganhando prêmios. “Eu investia essas premiações em cursos de idiomas e em seminários fora do Brasil, incluindo a Alemanha. Talvez por isso não tenha tido dificuldades de adaptação quando iniciei meu mestrado aqui”, ela conta.

Mellany ganhou uma bolsa de estudos da Fundação Joachim Herz para fazer seu mestrado em Hamburgo. A dupla titulação em Direito e Negócios oferecida então pela Bucerius Law School e pela WHU – Otto Beisheim School of Management, era uma das mais prestigiadas do país.

“Hamburgo é uma cidade excelente. Minha turma tinha pessoas de mais de 32 países. O curso era em inglês, o que foi um diferencial e deu a pessoas de várias partes do mundo a oportunidade de se encontrarem na Alemanha. Foi um aprendizado muito importante fazer atividades com colegas de diferentes culturas e origens para seguir uma carreira em um ambiente multicultural”, explica.

Mellany especializou-se em Direito digital. “Embora em muitos casos a legislação utilizada seja a local, há um movimento que internacionaliza bastante o Direito digital, pois a internet é global. O mestrado durou um ano com aulas em tempo integral e um período disponível para estágio. Para completar minha formação, eu tive a oportunidade de estagiar em um excelente escritório de advocacia com sede em mais de 40 países e em uma empresa multinacional na área jurídica”.

Mas desde a faculdade, em Salvador, Mellany sempre buscou possibilidades de atuar como pesquisadora no exterior. Logo que começou o mestrado candidatou-se à German Chancellor Fellowship, da Fundação Alexander von Humboldt, e foi selecionada, integrando o primeiro grupo de brasileiros a participar desse programa.

“Essa bolsa financia futuras lideranças e é aberta a cidadãos do Brasil, da China, da Índia, da Rússia e dos Estados Unidos. Cada candidato tem que apresentar seu próprio projeto e precisa de um host (anfitrião) – uma universidade, fundação, ou empresa na Alemanha – para desenvolvê-lo. Com o início do German Chancellor Fellowship, pude continuar o aprendizado do idioma alemão em Bonn e intensificar meus conhecimentos sobre a cultura e história do país, passando por diversas cidades. No entanto, retornei para Hamburgo, para desenvolver meu projeto na instituição que foi minha host”.

Nesse período, Mellany foi pesquisadora visitante na UNCITRAL, Comissão das Nações Unidas para o Direito do Comércio Internacional em Viena, Áustria e na WIPO, Organização Mundial da Propriedade Intelectual, em Genebra, Suíça.

Apesar de ter retornado ao Brasil por alguns meses após o término de sua bolsa de pesquisa, Mellany casou-se e voltou para a Alemanha. Hoje mora na região de Bremen e trabalha no departamento jurídico de uma empresa de energia eólica.

Adaptou-se bem, “sem perder a baianidade”, ela conta. “Aprendo muito, os alemães são focados. No entanto, eu acho importante trazer minhas origens e flexibilidade para o meu trabalho. É claro que é preciso mudar, se reinventar, mas o brasileiro tem essa capacidade. E a combinação da metodologia do alemão com a flexibilidade do brasileiro é imbatível”, reforça.

Durante seus estudos, a simpática baiana tinha uma enorme vontade de ajudar outros brasileiros a conseguirem uma bolsa de estudos. “O caminho é longo, muito detalhado e ainda tem um processo seletivo no qual você disputa uma vaga. Fiquei me perguntando como poderia desenvolver essa ideia e ajudar as pessoas. Então convidei o Tasso Cipriano, outro brasileiro bolsista da German Chancellor Fellowship, para criar o TIPPS, que em alemão quer dizer dicas. Nós nos conhecemos em uma estação de trem, a caminho do processo seletivo”, explica.

O TIPPS – Dicas para Estudar e Pesquisar na Alemanha, foi lançado em outubro de 2014 e os dois mantiveram sozinhos a página do Facebook por um ano, quando Evelyn Araripe e João Paulo Amaral, outros dois ex-bolsistas, se juntaram a eles. Ali, semanalmente são publicadas oportunidades para estudar e pesquisar na Alemanha. “Além disso damos dicas para pessoas que entram em contato conosco, falamos de nossas experiências, fazemos hangouts e tiramos dúvidas de outros brasileiros que querem estudar ou pesquisar aqui”, diz Mellany.

Hoje o TIPPS é integrado por oito colaboradores: quatro ex-bolsistas, três bolsistas atuais do German Chancellor Fellowship e uma professora de alemão. “Todos fazem isso voluntariamente e sem eles não seria possível dar continuidade ao projeto. Nós sempre convidamos novos brasileiros selecionados para essa bolsa para integrar o projeto. Acho importante manter essa iniciativa e compartilhar nossas experiências. Tem muita gente com potencial em busca de oportunidades e informações sobre como aplicar para uma bolsa de estudos e de pesquisa. No norte e no nordeste do Brasil, por exemplo, muitos desconhecem estas possibilidades, que impulsionam a carreira das pessoas. E para mostrar a diversidade do Brasil, nada melhor do que ter representantes de diferentes regiões do país nos processos seletivos. Quando estou no Brasil sempre encontro tempo para dar palestras sobre minha experiência na Europa e os temas em que trabalho. Moro aqui, mas meu contato com o Brasil é muito constante”, reforça Mellany.

“Para quem quer ter uma experiência como esta, eu recomendo fazer um mestrado ou um doutorado, programas que abrem muitos caminhos. Também acho importante dedicar-se ao aprendizado do idioma e da cultura para facilitar a adaptação”, ela explica.

Mellany reforça que quem quer estudar no exterior deve investir em si mesmo. “Vale a pena. Minha experiência na Europa me colocou em contato com pessoas dos mais diferentes lugares e eu me tornei uma cidadã do mundo, de fato. É possível encontrar oportunidades de aprimorar-se profissionalmente e pessoalmente, mas tem que correr atrás. Leia bastante, converse com as pessoas, procure especialistas. Isso só vai ajudar você na adaptação”, conclui.

Quer saber mais sobre estudar e pesquisar na Alemanha? Acompanhe o TIPPS – Dicas para Estudar e Pesquisar na Alemanha no Youtube e no Facebook.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais
Entre em contato: tissen@uol.com.br

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