Aprender fazendo: a experiência Hyper Island

Aprender fazendo: a experiência Hyper Island

Andrea Tissenbaum

14 Outubro 2015 | 16h08

Foto: Danilo Moraes

Foto: Danilo Moraes

Escola de inovação digital foca em desenvolver o pensamento criativo.

Começar uma conversa não custa nada. Uma conversa não tem dono, dá possibilidades a qualquer um e produz interação. Entre duas ou mais pessoas. Tudo vai depender de como a conversa acontece.


Caio e Rafael aprenderam muito sobre o poder de uma conversa durante o tempo que passaram na Hyper Island, uma escola sueca de inovação digital com foco no desenvolvimento do pensamento criativo.

Rafael, publicitário paulistano de 25 anos, trabalha como diretor de arte em uma agencia. Há três anos, num momento de insatisfação de vida, teve a sensação que precisava aprender mais e decidiu viajar. Em suas pesquisas descobriu a Hyper Island. Uma escola diferente, num país nórdico. “Achei a ideia do frio de Estocolmo ótima. Sem distrações, sabia que ia trabalhar”. Chegou lá sem conhecer ninguém, mas logo começou a estudar e a interagir com os muitos alunos estrangeiros que circulam pela escola.

Não sabia exatamente como a sua experiência seria, mas percebeu rapidamente que tudo era muito diferente do que esperava. “Não tinha um professor na sala de aula e eu fiquei pensando como ia aprender alguma coisa ali”, ele conta. Os alunos tinham as mais diversas habilidades e as turmas, um facilitador que ensinava os métodos da escola. “A Hyper Island é um lugar onde você aprende a aprender sozinho e a usar os recursos que estão a sua volta ou a buscar os que não estão”, explica Rafael.

A escola é voltada para tecnologias e mídias digitais. Rafael fez o curso de Direção de Arte Interativa. Estudou por um ano e trabalhou por mais seis meses em uma agencia local. Ele tem passaporte europeu, mas o visto permite ao aluno fazer um estágio.

“Estocolmo é o oposto de São Paulo. Tudo fecha muito cedo, é muito frio e as relações entre as pessoas nada parecidas com as que temos aqui no Brasil. As coisas são combinadas e marcadas, nada acontece em cima da hora”. Teve que se virar para evoluir no inglês, mas pode contar com ajuda. “Os suecos tem por premissa não corrigir as pessoas quando elas falam errado, por educação. Mas quando alguém pede a eles para ser ajudado, ganha um professor para a vida toda”, conta.

Aprendeu muito durante o seu tempo em um país que é tão distante do Brasil. Aprendeu a lidar com as pessoas no trabalho, a ser pontual, a conversar e a dar feedback. Aprendeu a trabalhar em equipe, a aproveitar todos os recursos que lhe são oferecidos e a buscar os que não são. Durante o seu tempo trabalhando na agencia fazia dupla com um inglês com quem aplicava os aprendizados da escola nos projetos que desenvolviam.

Baiano, 28 anos, também publicitário, Caio trabalha como redator em uma agencia. Foi para a Hyper Island de Estocolmo estudar mídias digitais, um curso de quase dois anos.

“Sou muito incomodado com as coisas. Saí de Salvador onde estudava engenharia para vir para São Paulo estudar comunicação. Eu estava sempre procurando alguma coisa que não encontrava”, conta Caio.

Foi parar no lugar certo. A escola ensinou a ele que o que ele estava buscando estava dentro dele. “O lugar que eu estava procurando, do jeito que eu tinha imaginado, não existia. A Hyper Island tem um sistema muito diferente e o conceito de processo educativo, como eu conhecia, foi totalmente desconstruído”, explica.

Compreender o sistema da escola não foi fácil para Caio, “até que a ficha caiu – questões eram colocadas e as soluções eram apresentadas a partir do trabalho de um grupo diverso, mas curiosamente complementar. O grupo tem um papel importante no seu desenvolvimento, você fica cuidadosamente ‘solto’ e percebe que o facilitador está sempre presente”.

Na escola os alunos são permanentemente desafiados. As dinâmicas são as mais diversas e a pergunta mais frequente, o que você acha? “Ao longo do tempo você se sente mais capacitado como pessoa, tem menos medo de correr riscos”, conta Caio.

Para Rafael o diferencial da Hyper Island foi aprender a aprender. Para Caio, a possibilidade de compreender que ele pode ser ele mesmo onde for.

Rafael e Caio se conheceram na Hyper Island de Estocolmo. Durante o seu tempo por lá desenvolveram alguns projetos juntos, ou, como eles dizem, começaram algumas conversas, em parceria com uma amiga Sueca, a Linn, que merecem ser conhecidas.

Aprenderam a caminhar com as próprias pernas, a se virar para “começar conversas” em uma outra cultura, se desenvolveram como indivíduos e como profissionais. De volta ao Brasil, continuam criando projetos inusitados que certamente estão mexendo com a cabeça das pessoas.

Para saber mais sobre a Hyper Island, visite o site da escola.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Siga o Blog da Tissen no Facebook e no Twitter