Estudo de idiomas: tempo x organização

Estudo de idiomas: tempo x organização

Berlitz Brasil

29 Setembro 2017 | 18h22

 

 

 

 

 

Luiz Chantre

O tempo nos dias de hoje é um ativo precioso e deve ser usado da melhor forma possível. A primeira dica é o que não fazer com o tempo disponível. Tendo em mente que o melhor cenário de aprendizado seria estarmos “imersos no idioma”, por exemplo, morando na Irlanda e ouvindo e falando inglês 24 horas por dia. Citamos aqui um exemplo de plano de estudos de um curso regular de inglês, duas vezes por semana, segundas e quartas-feiras.

A primeira dica seria não estudar na terça-feira, dando ao cérebro um tempo para reestruturar os circuitos. A recomendação é planejar o estudo a partir da quinta-feira, quando é aconselhável estudar a aula de segunda; na sexta-feira, rever o que foi estudado na quinta e estudar a aula de quarta-feira. No sábado, pode rever o conteúdo de quarta. Domingo descanso. Na segunda-feira, outra aula e todo processo deve ser repetido. Importante também é descansar após ser exposto a qualquer conteúdo novo. Dormir bem.

A gestão do tempo é fundamental. O ideal é usar pouco tempo de estudo, com  frequência e de forma espaçada, mudando e misturando atividades. Não é bom o estudo continuo de uma única matéria. Misturar assuntos com desafios desejáveis é uma prática mais eficiente; fazer esforço para lembrar, unir conteúdos e assim reforçar os circuitos neuronais, também.

Agora, melhor jeito de estudar: em uma folha em branco, preparar um questionário com tudo o que gostaria de se lembrar do que foi dado em aula. Fazer perguntas sobre assuntos que pretende dominar da matéria a qual foi exposto. O questionário tem efeito de busca de memória e é o oposto de simplesmente ler o conteúdo novamente. Responder ao quiz com suas palavras, colocando desenhos e figuras para ilustrar, sem olhar no material, apenas tentar lembrar. Essa atividade   deve durar no máximo uns 30 minutos: 15 min. para preparar o quiz e mais 15  para responder. Depois verificar o que falta ou  o que ainda precisa “estudar” mais. Quando for rever o que já estudou, pode fazer um resumo e tentar explicar para alguém com suas próprias palavras o que conseguiu relembrar.

Reler, sublinhar, passar marca texto. Sabe-se, por meio de pesquisas, que  essas são as formas de estudo mais utilizadas.  Porém, as menos eficientes. O estudo maluco em grande quantidade para o aluno ir bem em uma prova funciona, o aluno tem um overload de informações em sua memória de curto prazo. Porém, um dia depois da prova, esquece tudo, como escrita na areia.

E o aluno que vai para o curso de idiomas duas vezes por semana e nunca tenta estudar, pesquisar, ousar, errar fora do ambiente de aula, tem um aproveitamento muito inferior ao de um aluno que se propõe a estudar no cotidiano.

Além disso, disciplina é importante. Fazer um cronograma de estudos sempre ajuda. No artigo do professor de inglês Andre Hedlund ‘Procurando uma melhor retenção? Repetição espaçada, colocada na prática com etiquetas codificadas por cores”,  há  excelente exemplo de um cronograma. Hedlund é consultor acadêmico na National Geographic Learning e membro do grupo da  Mind,Brain and Education no Brasil. Link: https://goo.gl/o7o8iK.                Conclusão: administrar o tempo e saber estudar muda tudo na vida do aluno.

 

*Luiz Chantre é Supervisor de Instrução do Berlitz Brasil e pós-graduado em “Neurociência Aplicada à Educação” pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo