Dicas para retermos melhor o conhecimento

Dicas para retermos melhor o conhecimento

Berlitz Brasil

28 Julho 2017 | 13h12

 

 

 

Luiz Chantre

Será que a forma como estamos acostumados a estudar – lendo, relendo, sublinhando, decorando – significa que estamos aprendendo ou retendo a informação para uso em longo prazo? Não. Neste artigo e no próximo, darei dicas de como ajudar seu cérebro a se apropriar do conhecimento para além da necessidade imediata de passar em uma prova, por exemplo.

O que um adolescente faz quando está se preparando para uma prova? Normalmente, ele usa o material que estudou no semestre inteiro, lê e relê, repetidas vezes. Isso quer dizer que ele se apropriou do conhecimento? Não. Ele pode até se sair bem na prova, mas, passados dois ou três dias, possivelmente não lembrará de quase nada daquele conteúdo. Por quê? Porque fez um estudo apenas com a finalidade de passar em uma prova, utilizando-se da sua memória de curto prazo.

No livro Make It Stick, de Peter Brown, o autor esclarece a seguinte questão: “como achamos que o cérebro aprende?” Nosso cérebro se desenvolve o tempo todo em fases e velocidades diferentes. O cérebro do adolescente está em um período de maturação, quando ocorre a chamada “poda neuronal”, período no qual o cérebro faz uma seleção, descartando e gerando novos neurônios.

A primeira dica de como ajudar seu cérebro a se apropriar do conhecimento é o que o autor chama de activating retrieval (ativar o processo de busca de conhecimento). O nosso cérebro não aprende melhor quando lemos, ou estudamos, mas quando paramos e começamos a nos lembrar daquilo que aprendemos. Ele reforça os circuitos neuronais quando estamos tendo dificuldade para lembrar de algo que já vimos. O exercício de voltar atrás, lembrando e reescrevendo, é o mais forte que existe para potencializar a memória de longo prazo.

Então, toda vez que estiver aprendendo alguma coisa – seja através de um vídeo, um livro, um áudio – preste atenção em tudo, mas não anote nada. Assim que terminar, pegue uma folha em branco e escreva tudo que julgar importante, tudo de que se lembrar. No outro dia, ouça e leia novamente a matéria e compare o que ouviu ou leu com o que escreveu. Complete com o que você não havia se lembrado antes. Volte a estudar o que reescreveu, separe essa página e volte a escrever numa página em branco tudo que lembrou.

E não esqueça: fazer um questionário com perguntas e respostas é a melhor forma de testar se você realmente está aprendendo um assunto ou não. Você mesmo deve preparar as perguntas, com a finalidade de lhe forçar a buscar o conhecimento para responder o questionário.

 

*Luiz Chantre é Supervisor de Instrução do Berlitz Brasil e pós-graduado em “Neurociência Aplicada à Educação” pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo