Aprender não é fácil, mas o que é mais difícil não é mais legal?

Aprender não é fácil, mas o que é mais difícil não é mais legal?

Berlitz Brasil

15 Agosto 2017 | 11h51

 

*Luiz Chantre

Para o cérebro, o aprendizado de algo novo é um processo trabalhoso, que envolve esforço; se  for fácil e sem descobertas, o processo não acontece – o aprendizado é adquirido quando passamos por dificuldades, resolvendo problemas para reforçar e criar novos circuitos neuronais.

No artigo de hoje vou dar mais uma dica para ajudar na apropriação do conhecimento, que se aplica a tudo que quisermos aprender.

Por exemplo, se você está com dificuldade em Matemática, especialmente em funções, pouco adianta ficar estudando só isso. Você deve estudar álgebra e outras partes da Matemática também – sempre seguindo o roteiro do artigo anterior: estude um pouco, faça uma pausa; pegue uma folha de papel e tente fazer o exercício do seu jeito. Crie questões para você resolver, dificulte-as, faça de outra forma.

É o que Peter Brown, autor do livro Make it Stick, chama de interleaving practice – prática intercalada e variada. É importante não praticar tudo sobre o mesmo conteúdo de uma só vez e de um só jeito. Assim, fazer exercícios de present perfect por três horas sem parar não é produtivo. O interessante é fazer 10 minutos de present perfect, 15 de expressões diferentes e, depois, 10 minutos de formulação de perguntas no futuro, e dar uma pausa para o cérebro descansar. O nosso cérebro precisa ter picos de atividades e picos de descanso. A prática tem que ser variada e espaçada, e não em blocos grandes dos mesmos assuntos.

A dica é: não praticar a mesma coisa por muito tempo; ao invés disso, espaçar e variar os conteúdos. No livro de Peter Brown há um exemplo simples para demonstrar a eficiência dessa dica. Nos Estados Unidos, um grupo de meninos foi dividido em duas fileiras e ficou uma hora rebatendo bolas de beisebol. Os meninos da fileira 1 treinaram repetidamente a bola de curva e, depois de um certo tempo, apresentaram um aproveitamento muito bom. Os meninos da fileira 2 não sabiam qual era a bola da vez –  curva, rápida, lenta, baixa ou alta. A curto prazo, o grupo que rebatia sempre bolas diferentes teve um desempenho muito inferior aos  da outra fila, mas, a longo prazo, tornaram-se mais preparados para rebater qualquer tipo de bola; enquanto a outra turma apenas se preparou para rebater bem as bolas de curva.

Nos cursos de imersão do Berlitz, o aluno passa o dia inteiro aprendendo, mas com práticas variadas, fazendo muita coisa diferente ao mesmo tempo, estimulando o cérebro ao máximo. Ao final da aula, ele faz a parte mais importante: recontar com as próprias palavras o que viu e ouviu (Wrap up). Vai para casa descansar e deixa a lição de casa para o cérebro: durante o sono REM (sono profundo), o cérebro faz uma seleção e separa o que é importante do que não é. Na aula seguinte, o aluno precisa dizer o que se lembra da aula anterior (Warm up).

Ao estudar, procurando seguir as dicas desses dois artigos, faça também o exercício de recontar o que  está aprendendo: você só vai realmente se apropriar de um conhecimento, seja ele qual for, se conseguir transmiti-lo a alguém, ensinar o conteúdo com  suas próprias palavras. E o mais importante: mentalidade positiva. Não importa o quão difícil seja, se você acha que  consegue ou não consegue fazer ou aprender alguma coisa, você está provavelmente certo. Você só consegue aprender algo se você quiser.

 *Luiz Chantre é Supervisor de Instrução do Berlitz Brasil e pós-graduado em “Neurociência Aplicada à Educação” pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.