Saúde X Doença – O Processo de Somatização na Criança

Saúde X Doença – O Processo de Somatização na Criança

Do Colégio

29 Setembro 2017 | 10h39

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o termo saúde diz respeito ao perfeito bem estar físico, mental e social do indivíduo e não apenas à ausência de doença. Já a doença se caracteriza como um conjunto de sinais e sintomas específicos que afetam o indivíduo, alterando o seu estado normal de saúde. Ou seja, saúde e doença são conceitos que se referem a um estado do indivíduo, a um “estar sendo” que se modifica com constância.

 

Adoecer é um processo gradual, fala da somatória de fatores psicológicos, fisiológicos e sociais, além de ser uma possibilidade encontrada, muitas vezes, para denunciar desequilíbrios no pensar, agir e sentir do indivíduo. Basta que não se consiga dar conta de uma expressão, que não se encontre uma via psíquica para representação de algum conflito, que não se saiba conduzir uma questão subjetiva, para transformar conteúdos internos e/ou angústias em sintomas.

 

Partindo dessa premissa podemos entender a doença como um dos grandes caminhos de representação emocional para as crianças, visto que as mesmas, na maioria das vezes, não têm maturidade, bagagem, autoconhecimento e repertório para explicitar conflitos e emoções de forma direta. A falta de recursos para reconhecer, identificar e trabalhar situações conflitivas pode fazer com que a criança utilize de um veículo conhecido – o corpo – para manifestar emoções, sentimentos e desconfortos, a fim de buscar equilíbrio.

 

O sintoma é o ponto de partida para compreensão do sentido da doença; neste momento o corpo se torna um universo farto para investigações e descobertas, apontando para um caminho de cuidado.

 

Existem muitos sintomas comuns, como: dores abdominais, de cabeça, de garganta, problemas respiratórios, alérgicos, entre outros e, via de regra, estão relacionados a vivências emocionais no campo da família, escola, amigos, todo leque vinculado ao universo que a criança está inserida. O corpo será o reflexo, a tradução do que se sente! Cabe interpretar! Fundamental aos pais estarem atentos aos sinais, queixas e mudanças tanto físicas quanto comportamentais para, então, conseguirem compreender e ajudar seu filho.

 

Considerando que a doença existe de fato, é inquestionável que ela deve ser tratada de forma adequada pela medicina e profissionais especializados, porém, na grande maioria dos casos, um processo terapêutico também se mostra de extrema importância. O corpo fala através da doença e o lidar com este processo se refere à capacidade de dar sentido ao que aparece e se modificar em vista da doença. Pensando em um cuidado infantil, o processo terapêutico indicado é a ludoterapia.

 

Entendendo que o sintoma em seu filho também pode ser uma repercussão à dinâmica familiar, não se esqueça de olhar para si, se questionar, problematizar suas vivências, pois talvez seja necessário cuidar do todo (família) para “curar” seu filho.

Maria Amélia Aderaldo – CRP: 06/74257

Psicóloga Clínica e Hospitalar

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