Adaptação Escolar

Adaptação Escolar

Do Colégio

02 Agosto 2017 | 09h50

Adaptação Escolar: Pais e Filhos

 

 

Para muitos pais o início do 2º semestre marca o ingresso dos filhos na vida escolar e este momento costuma demandar um investimento emocional significativo; não é a toa que denominamos esta fase como “Adaptação”. É um processo absolutamente comum, de mudança e dita o enfrentamento do novo, diferente e desconhecido para criança; e do medo, angústia e ansiedade para os pais.

 

Adaptar-se diz respeito a se adequar, se acomodar, se ajustar a novos contextos, situações e pessoas; demanda paciência, acolhimento e principalmente tempo.

 

Para os pais a adaptação começa na escolha da escola, que deve ser feita com muita clareza sobre quais são as prioridades e expectativas com relação ao que a mesma pode oferecer. Deve ser uma atitude pensada, segura e consciente.

 

A proposta com a criança também é de muita verdade. Ela deve ser preparada para o “ir à escola” e cabe explicar os motivos para tal, reafirmar sempre o vínculo e o afeto e não gerar falsas expectativas. O ideal é tentar lidar com o processo da forma mais natural possível, pois a separação é dolorosa tanto para a criança quanto para os pais, mas é necessária e tende a ser superada em pouco tempo.

 

O choro na hora da separação é muito comum e nem sempre significa que a criança não queira ficar na escola. Chorar é a principal forma de manifestação da criança e a expectativa é que apareça por esta via qualquer tipo de incômodo. O importante é estar atento à motivação do choro, pois também é muito comum que a criança chore de forma a “manipular” uma situação.

 

Outras situações comuns ao processo de adaptação são: regressões de comportamento (xixi na cama, por exemplo), reações psicossomáticas (febre, vômitos, entre outras) e principalmente “confusão” de sentimentos, pois não estamos falando apenas de uma adaptação de rotina e tarefas, mas também de uma adaptação emocional e relacional.

 

O período de adaptação varia de criança para criança, é único e tende a ser mais fácil ou mais difícil dependendo de sua criação até então, o que reflete seu nível de dependência / independência.

 

Grosso modo, até os seis meses o processo de adaptação é “mais fácil” para a criança, que ainda não tem uma compreensão efetiva dos acontecimentos e toda sua referência está no cuidado exercido sobre ela; e mais difícil para os pais, que tendem a lidar com essa fase com muita culpa, como se estivessem abandonando seu bebê. Daí para frente o nível de maturação do bebê é maior e ele já consegue “estranhar” pessoas e situações. Nessa fase a adaptação pode ficar mais difícil e levar um tempo maior. Cabe ser tolerante, porém firme, para que o processo não se perca no meio do caminho.

 

Ou seja, é importante incentivar a criança a criar um vínculo saudável com a escola/professor, para que estabeleça laços afetivos e passe a se sentir mais segura e confortável, bem como os pais ao verem seus filhos acolhidos por esta “estrutura”.

 

E qual é o papel da escola? A escola entra no papel de facilitador no desenvolvimento infantil e cabe a ela orientar e estimular a criança, aceitando-a e desafiando-a nesta construção. É um papel de grande responsabilidade e extremo cuidado, mas é fundamental aos pais acolherem a ideia de que é uma responsabilidade compartilhada. É importante que sejam próximos da escola, frequentem as reuniões, se atentem as colocações na agenda e tenham um canal de comunicação aberto com o professor/responsável pela criança na instituição. A proposta é que a escola colabore, favoreça e contribua para uma construção que já vem sendo desenrolada pela família. Que seja uma parceria!

 

A escola é um local separado de casa, apesar de ser uma extensão do espaço de desenvolvimento da criança. Espera-se cuidado, atenção, afeto e aprendizado, porém cabe aceitar que tudo isso está organizado dentro de um funcionamento, com regras, deveres e direitos comuns, dos quais a criança fará parte. Entender a criança como parte desse todo institucional é fundamental e torna as expectativas mais próximas de uma demanda real.

 

A entrada da criança na escola é a entrada para a vida comum e vale a pena acreditar em toda gama positiva vinculada a esta experiência: ela aprenderá a lidar com diferenças, frustrações, regras e limites; ela se descobrirá em novos papéis e lidará com demandas sociais; construirá novos vínculos afetivos, sociabilizará, criará autonomia, recursos para solução de pequenos conflitos, dentre outras mil possibilidades… Em paralelo é a oportunidade para os pais voltarem a  cuidar de si, do casamento, do trabalho, de se vincular a novas tarefas/pessoas e, principalmente, de acreditar que essa retomada é extremamente saudável.

 

Caso prevaleçam alguns dos sentimentos para além do comum ao processo e por um período maior de tempo,entre em contato com a orientação da escola  e procure ajuda!

 

Maria Amélia Aderaldo – CRP: 06/74257

Psicóloga Clínica e Hospitalar

(11) 9.9971-8648 / maderaldo25@gmail.com

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