Uma escola para robôs?
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Uma escola para robôs?

O que Brett, um humanoide capaz de aprender da mesma forma que os seres humanos aprendem, tem a nos de dizer sobre a nossa Educação

Ana Maria Diniz

05 Outubro 2017 | 11h00

Quantas vezes nos deparamos discutindo a Educação do futuro sem nos darmos conta de que o futuro já começou? Uma matéria sobre a vida pré-escolar de um androide chamado Brett, publicada na última edição da revista Wired, nos dá essa dimensão.

Sigla em inglês para Robô Berkeley Para Eliminação de Tarefas Tediosas, Brett é o aluno mais notável do Robot Learning Lab, uma espécie de jardim de infância para robôs que ocupa um andar inteiro da Universidade da Califórnia. Ali, Brett e uma dúzia de colegas aprendem brincando, de forma espontânea, com brinquedos de plástico e peças de Lego, como se fossem crianças de 3 anos.

Pois essa é a idade mental de Brett, um sistema de inteligência artificial capaz de aprender da mesma maneira que nós, humanos. Como as crianças nessa faixa etária, ele naturalmente aprende a aprender. É movido pela curiosidade e pode passar horas mexendo numa caixa de areia vendo o que pode descobrir ali e, assim, ensinar a si mesmo. Quando se depara com um problema, tenta resolvê-lo repetidamente, no seu ritmo, até encontrar a solução, por tentativa e erro. Em nenhum momento alguém lhe diz o que deve fazer ou o quê fazer diante de um desafio.

Mas por que uma escola para robôs?

Com o avanço exponencial da tecnologia, as máquinas se tornam mais inteligentes a cada dia, assumindo papéis cada vez mais importantes na indústria, na medicina, nos exércitos e em outros campos. Mas esses sistemas de inteligência artificial avançada, mesmo sendo capazes de aprender muita coisa por conta própria, ainda funcionam a partir de uma programação básica que só pode ser modificada por um humano. Numa situação de total  imprevisibilidade, eles não conseguem agir, pois não foram programados para tal.

Ensinar os robôs características humanas como a flexibilidade e a agilidade de pensamento diante de imprevistos é fundamental. Se eles não desenvolverem essas habilidades, explicam os cientistas, em breve nós, humanos, teremos de carregá-los pelas mãos. Outra razão para experimentos com robôs que aprendem como humanos ou com outras formas de inteligência artificial é entender de forma mais profunda como a inteligência natural funciona, algo que ainda não sabemos de forma concreta, muito menos unânime.

Ainda está longe o dia em que sistemas de inteligência avançada como Brett atingirão a maturidade e viverão entre nós. Mas a história de Brett tem muito a nos dizer sobre a Educação que estamos proporcionando a nossas crianças e jovens neste momento tão complexo na história da humanidade.

Vejam só: enquanto cientistas tentam criar robôs humanizados, nós continuamos formar humanos robotizados em nossas escolas !

Em boa parte do mundo, os alunos ainda aprendem o que devem fazer, como fazer e que fórmula usar para resolver determinado problema, ou seja, são programados para realizar tarefas específicas. Se queremos que jovens mais preparados que a novíssima geração de robôs para agir de forma inteligente no mundo que está por vir, precisamos urgentemente estimular acuriosidade, a criatividade, a autonomia e o pensamento científico nos alunos, como fazem os cientistas de Berkeley com suas máquinas.

Caso contrário, muito em breve nós, humanos, é que seremos levados pelas mãos pelos androides.