Política pode ser para você!
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Política pode ser para você!

Há uma enorme quantidade de jovens com o desejo inato de tornar o Brasil e o mundo um lugar melhor, mas que não sabem como começar; é nosso dever despertá-los e apoiá-los nesse sentido

Ana Maria Diniz

08 Fevereiro 2018 | 13h11

Se existe um consenso no conturbado balaio de opiniões que divide o Brasil, certamente é o de que este será um ano decisivo para o país. Em outubro, teremos as eleições gerais mais imprevisíveis e importantes da nossa história recente – uma chance única para darmos início a um processo sério de renovação política e institucional. Como otimista que sou, tenho a esperança de que faremos as escolhas corretas neste momento.

A indignação generalizada com a corrupção que infesta as nossas instituições fez nascer uma esperança. Eu nunca vi tantos jovens engajados nas discussões sobre os problemas do país, querendo fazer a diferença no Brasil que podemos construir. Junto a isso, estamos assistindo a uma onda inédita da sociedade civil no sentido de lançar novos nomes, siglas e ideias na arena política. Veja o RenovaBR, movimento criado por empresários para apoiar o surgimento e a formação de novas lideranças.

Alunos do ensino médio de 100 países participam de simulação da ONU em Haia, na Holanda

Porém, o desânimo e o desinteresse em relação à política ainda persistem e se sobrepujam a essa tendência reformadora em boa parte da nossa juventude. De acordo com uma pesquisa realizada no ano passado pelo TSE, a grande maioria dos nossos jovens está absorta em seu mundo, preocupada com o seu futuro pessoal e profissional imediato e distante da vida pública. Mais da metade dos que tem entre 16 e 20 anos só vai às urnas por obrigação, acha que o voto não mudará a sua vida e não se interessa pelo assunto.


Este é um problema que precisamos resolver já! Uma juventude politicamente apática é incompatível com os planos de transformar qualquer país, que dirá o mundo, num lugar melhor de forma sustentável. Foi com essa preocupação em mente que o ex-presidente Barack Obama criou, após encerrar seu segundo mandato, a Obama Foundation, uma espécie de “startup da cidadania” que visa inspirar e impulsionar o envolvimento cívico em  jovens do mundo inteiro.

Há uma enorme quantidade de jovens com o desejo inato de tornar o mundo um lugar melhor, mas não sabem como começar. Muitos outros não se percebem como agentes de mudança e não entendem o poder e o valor de sua voz. Acredito que as escolas têm um papel crucial em despertá-los, o quanto antes, estimulando o debate em torno de problemas reais e dando ferramentas para que eles possam ajudar, de fato, na criação de soluções para seus bairros e comunidades.

Várias iniciativas podem ajudar nesse sentido, como os MUNs (Model United Nations), simulações da ONU em que alunos do ensino médio ou superior, no papel de delegados de diferentes nações, exercitam a diplomacia, a retórica, o debate, o senso crítico e a cooperação. Populares nas universidades nos anos 90, mais recentemente os MUNs se difundiram pelas escolas. Hoje, há 5.000 MUNs por ano – desde edições a nível local até internacionais, que reúnem estudantes de vários países.

Há outras alternativas interessantes e mais acessíveis. A plataforma Mobis reúne conteúdos pedagógicos e roteiros de projetos e atividades voltados ao desenvolvimento da cidadania. Os materiais podem ser usados gratuitamente por professores, escolas e organizações.

Enfim, não faltam ideias, programas e atividades para estimular o engajamento cívico em nossas crianças e jovens. Então, o que estamos esperando?