Escolas que fazem a diferença
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Escolas que fazem a diferença

Dez instituições brasileiras estão entre as finalistas do desafio internacional Edumission, que elegerá, no início do ano que vem, as escolas mais inovadoras do mundo

Ana Maria Diniz

30 Novembro 2017 | 09h50

Ranking após ranking, nos deparamos com o que há de pior na nossa Educação: alfabetização sofrível, níveis estratosféricos de evasão, professores despreparados e escolas presas a um sistema que as torna chatas, desinteressantes e ineficientes. As constatações sobre a precariedade do nosso ensino são tantas e tão recorrentes que nos impedem de enxergar experiências que, longe dos holofotes, têm contribuído para repensar e renovar a Educação dentro e fora do país.

Mas o que é exatamente uma escola inovadora? É uma escola que olha para o aluno de forma única e acredita de verdade que todos podem aprender, no seu ritmo e do seu jeito; que adota estratégias diferenciadas para explicar os fenômenos do mundo e enxerga a criança como um ser em formação com mente, corpo e espírito, que precisa conhecer a si próprio para crescer e ser bem-sucedido.

Essa escola pode estar numa área rural, e usar a natureza como meio de aguçar o interesse do aluno em entender como tudo na vida é cíclico e interdependente, ou na cidade, e se apropriar da tecnologia para ajudá-lo a lidar com a complexidade da vida urbana e aprender com ela. No fundo, interessa menos em que local ela se encontra e quais ferramentas utiliza, pois a abordagem diferenciada é desenvolver em cada criança a curiosidade e a paixão pelo saber.

O Brasil tem mostrado que é capaz de inovar, como mostram os resultados preliminares do desafio global Edumission, que está selecionando as escolas mais inovadoras do mundo para dar início a uma rede de colaboração e troca de conhecimento educacional de excelência: das 24  finalistas, 10 são brasileiras, entre as quais a Escola da Toca, uma iniciativa do Instituto Península, braço social da minha família, e a Wish Bilingual School, da qual sou sócia.

São dois projetos diferenciados e consistentes, que merecem este reconhecimento. Localizada em Itirapina, interior de São Paulo, a Escola da Toca foi criada em 2009 em caráter experimental para atuar por meio de uma abordagem focada em alfabetização ecológica, com base em três princípios: a inspiração na natureza, o respeito e a apreciação da cultura da infância e o desenvolvimento integral.

Já a Wish fica no Jardim Anália Franco, zona leste de São Paulo. A escola nasceu tradicional – era como todas as outras em termos de currículo, espaço e divisão de classes–, mas passou por uma reviravolta em 2012, quando adotou a Educação Holística como estratégia central de seu projeto pedagógico. Hoje, a escola não tem provas, as turmas são multietárias e o aprendizado se dá por meio de projetos. Em breve, as paredes que delimitam as salas de aula serão derrubadas.

A finalistas desta primeira edição do Edumission foram selecionadas a partir de vários critérios, entre os quais comprometimento, diferencial pedagógico e potencial para escalonar a experiência. A seleção foi feita por especialistas de renome mundial, como o consultor britânico Ken Robinson, o professor indiano Sugata Mitra, o psicólogo americano Peter Gray, o educador israelense Yaacov Hecht e a brasileira Helena Singer, assessora especial do MEC, e também por voto popular. As vencedoras do desafio serão anunciadas no início de 2018.

Estou muito feliz por ter entre os finalistas dois projetos aos quais estou ligada!