Criatividade é uma “competência de sobrevivência” no século 21
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Criatividade é uma “competência de sobrevivência” no século 21

Hoje sabemos que é possível desenvolver a criatividade e estimular a imaginação; por que não fazer isso em larga escala nas salas de aula do mundo todo?

Ana Maria Diniz

21 Setembro 2017 | 10h52

No mundo de hoje a criatividade é uma “competência de sobrevivência”, já que não temos a menor ideia das transformações que teremos pela frente tanto no trabalho como na forma que consumimos produtos e serviços. Por isso, flexibilidade é o nome do jogo e, aliada a ela, precisamos desenvolver muito nossa capacidade de criar. Só assim encontraremos respostas novas para os desafios novos que estão por vir.

Tony Wagner, pesquisador de Inovação em Educação de Harvard, descreve brilhantemente no livro The Global Achievement Gap a urgência em adqurir habilidades como adaptabilidade, iniciativa, pensamento crítico, resiliência, resolução de problemas e, acima de tudo, imaginação e curiosidade, para enfrentar ou recriar a realidade conforme ela se desenrola.

Para isso é necessário, primeiramente, entender o que é criatividade. Ao contrário do que diz o senso comum, criatividade não é uma aptidão inata ou um talento que só alguns poucos têm. A capacidade de criar e inovar é inerente a todos nós. “A imaginação está cravada em nossa biologia, é arma evolutiva que nos permitiu chegar até aqui”, diz o antropólogo americano Stephen Asma, autor do recém-lançado The Evolution of Imagination. “Mas em vez de sermos instigados a aprimorar o nosso potencial criativo, somos estimulados a abandoná-lo”, escreve Asma. Infelizmente, isso acontece principalmente nas escolas, onde educamos crianças e jovens – e, portanto, limitamos seus futuros – com processos engessados e métodos pauteurizados de ensino.

Nas últimas décadas, pesquisadores de diferentes áreas da ciência têm se dedicado a entender a criatividade. Os estudos mais recentes focam na identificação de traços comuns do processo criativo. Um desses traços é a alternância entre o pensamento divergente, que consiste em abrir caminhos e achar o maior número de ideias para solucionar um determinado problema, com o pensamento convergente, que é a capacidade de avaliar e selecionar quais dentre essas ideias são as mais promissoras. Outro é a transversalidade de pensamento, ou seja, a capacidade em cruzar diferentes áreas de conhecimento e chegar a novas conclusões.

Se a capacidade de estimular a imaginação e desenvolver a criatividade é algo treinável, por que não fazer isso em larga escala nas salas de aula do mundo todo?, questiona Paul Collard, CEO da Creativity, Culture and Education, organização que tem a missão de apresentar ao governo britânico soluções para uma Educação em que a criatividade é uma prioridade.

O que eu mais gosto no pensamento de Collard é o conceito de que ser criativo não é só ter boas ideias, é também ter as habilidades para fazer com que as ideias aconteçam. Não adianta só ficar pensando e criando coisas mirabolantes que não servem para nada. Para Collard, a criação deve ser motivada pela realidade, por problemas reais a serem solucionados, tanto individuais como coletivos. Para que isso seja possível, é preciso desenvolver a curiosidade, a motivação, a força de vontade, a colaboração, a responsabilidade e aprender que errar é parte da aprendizagem.

Se quisermos colocar esse plano em prática, caímos no mesmo ponto que é meu mantra preferido: precisamos trabalhar essas habilidades nos professores para que eles possam encorajar seus alunos nesse sentido e estabelecer, assim, um círculo virtuoso de exploração, aprendizado, imaginação e criatividade em sala de aula.

Vamos comprar este desafio?