Aprender com os colegas é mais fácil, eficiente e divertido
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Aprender com os colegas é mais fácil, eficiente e divertido

Pesquisas realizadas nas últimas décadas mostram que um estudante que aprende com o colega retém de 30% a 40% mais do conhecimento estudado do que outro que só frequentou aulas tradicionais e expositivas

Ana Maria Diniz

25 Maio 2017 | 09h47

Nos anos 90, sete anos depois de ser convidado para lecionar Física em Harvard, Eric Mazur era uma estrela, tinha certeza de que era um bom professor. Seus alunos elogiavam as aulas, tiravam boas notas e, aparentemente, compreendiam o conteúdo.

Porém, certo dia, ao desafiar a sua turma com um problema diferente dos que costumava propor, ele se deparou com uma verdade dolorosa: seus alunos se saiam bem em exercícios que podiam ser resolvidos com um punhado de fórmulas, mas não eram capazes de responder a uma questão mais analítica, que envolvia a compreensão de conceitos fundamentais da Física.

Consternado, Mazur tentou explicar o assunto para a classe mais uma vez. E outra. Mas os alunos continuavam perdidos. Sem saber o que fazer, ele sugeriu que os estudantes discutissem o tema entre si – uma atitude que, à época, não achava condizente com o seu papel. Para sua surpresa, em poucos minutos o problema estava resolvido.

“Nesse momento, me dei conta de que não era um professor tão bom quanto pensava que era. “Tinha me esquecido de como é ter 17 anos e do quanto é difícil para um jovem falar de um assunto que acabou de aprender com alguém que aprendeu o mesmo assunto há muito tempo e o domina”, disse Mazur à Harvard Magazine.

Surgia, assim, o peer instruction, ou aprendizado por pares, metodologia criada por Mazur cuja ideia central reside na construção do conhecimento a partir da interação entre os estudantes.

O método consiste no seguinte: o professor recomenda que os alunos estudem antecipadamente um conteúdo, seja por leitura, vídeo ou pesquisa. Quando chega em sala de aula, o professor propõe questões para serem discutidas em duplas e respondidas em classe. Cabe ao docente auxiliar os alunos e intervir nas discussões para garantir que o trabalho seja produtivo. Os alunos aprendem porque se trata de uma grande troca entre iguais. Nessas interações, os estudantes se sentem menos inibidos em expor suas dúvidas e fazer quantas perguntas forem necessárias para a compreensão da matéria.

Adotado em universidades do mundo inteiro, o peer instruction só agora começa a chegar com força nas escolas. Essa propagação acontece na esteira da inserção tecnológica e da disseminação do ensino híbrido, modelo que mescla a aprendizagem online e o presencial a fim de garantir uma Educação mais eficiente, interessante e personalizada.

A tecnologia não só tornou o peer instruction mais atraente e exequível. Com a popularização da internet, o método ganhou novas e poderosas dimensões. À essa evolução, dá-se o nome de Educação Peer-to-peer, aprendizagem descentralizada e democrática baseada na troca e no compartilhamento de informações, que pode acontecer dentro ou fora da escola, ao longo da vida.

A eficácia da aprendizagem por pares já foi comprovada por pesquisas realizadas em universidades de vários países que aderiram ao método ao longo das últimas décadas. Os resultados foram bastante parecidos. Em média, um estudante que conta com o apoio de um colega retém de 30% a 40% mais o conhecimento estudado do que outro que frequentou aulas tradicionais e expositivas.

Enfim, a aprendizagem por pares, seja presencial ou virtual, é um grande ganha-ganha. Melhora o aprendizado tanto de quem transmite a informação, por repeti-la, repensá-la e buscar a melhor maneira de explicá-la, quanto de quem a recebe de forma elucidativa. Promove uma maior interação com outras pessoas, estimula o protagonismo estudantil e desenvolve suas habilidades de comunicação e de colaboração, essenciais para a vida neste século.