Progresso escolar e humano: observação e experiência no desenvolvimento estudantil

Colégio Albert Sabin

07 Maio 2018 | 10h00

Na primeira infância, ser aluno é ser convidado a se encantar. Muito embora o aluno receba esta missão com o objetivo de processar as experiências escolares de forma ativa, o encantamento chegará a ele com estratégias absolutamente pensadas para envolvê-lo, intrigá-lo e despertar nele o desejo de se entregar e fazer.

Há um universo lúdico que o aguarda, descobertas concretas e possíveis de alimentar o mundo de suas fantasias, que culminam, no final do período, com o encontro dos pais, permeado de beijinhos e afagos, na maioria das vezes.

Aquilo que, eventualmente, ao se chegar na escola, poderia ser choro, medo do abandono ou saudade prévia da proteção do lar, vai sendo substituído, paulatinamente, por segurança, coragem, muita diversão e novos laços afetivos que contribuem para a primeira fase de amadurecimento escolar das crianças.

Depois, já acostumados com a instituição escolar, os alunos recebem a missão de dar início a um processo mais autônomo de aprendizagem. Ao estarem no Ensino Fundamental I e II, são estimulados a aprenderem a ser mais pró-ativos em relação ao que estão aprendendo: podem interagir com o conhecimento mais eficientemente, podem testá-lo, podem criticá-lo com ferramentas mais adequadas que simplesmente o mundo da fantasia. Porém, toda essa mudança de cenário ainda vem acompanhada de muita paciência, cuidados e acolhimento por parte de seus educadores.

A escola planeja-se para dar ao estudante ferramentas que o capacitem a absorver tudo o que lhe é apresentado e lhe dá, também, oportunidades que o ajudarão a buscar de forma mais independente outras estratégias para acumular conhecimento.

Porém, por um lado, a criança, nessa fase, recebeu mais espaço para ser o protagonista do seu desenvolvimento educacional, por outro, também ainda não tem completas condições fisiológicas de se desvincular efetivamente da necessidade de abrigo familiar, do desejo de colo de mãe ou de pai e da vontade de sobrepor mais intensamente a fantasia em detrimento da realidade.

Que bom! Porque também os pais precisam de tempo para elaborar dentro de si o crescimento dos filhos. Nesta fase, estão caminhando em sua difícil batalha para aprenderem o equilíbrio perfeito entre a superproteção e o desapego.

Então, nessa etapa, encontramos meninos e meninas muito valentes que, ora desempenham sua condição de estudante da forma mais brilhante possível e alcançam todos os objetivos esperados, ora esses mesmos meninos e meninas se perdem em atitudes que não condizem com as expectativas dessa fase. Assim como seus pais, que por vezes podem se perder em ações de superproteção e reforçar atitudes heterônomas de seus filhos, ou ir ao outro extremo, o da ausência, e negligenciar seus papéis de tutores.

Todas essas variáveis se dão porque não há um “manual” para estudantes e pais que seja capaz, além de ensinar, fazer introjetar de forma efetiva e obrigatória, um código de ações que garanta o sucesso pleno e incondicional para ambas as partes. Dessa forma, todos aprendem com acertos e erros, com observação e com experimentação. O aprendizado de cada um tem sua marca personalizada e intransferível.

Assim, acaba-se o ciclo fundamental. Alguns, com mais dificuldades, outros, com menos, porém todos abrigados pelo manto da compreensão de seus professores e da equipe pedagógica, e todos com traços físicos que denunciam a partida da infância e a chegada da adolescência.

No Ensino Médio, a escola deseja que o estudante busque suas ferramentas de forma autônoma para a construção de seu conhecimento. Pode haver a falsa crença de que a passagem de nível garanta automaticamente o amadurecimento de todas as funções cognitivas e emocionais do adolescente que chega à primeira série.

O grau de complexidade desta etapa aumenta em uma velocidade maior do que muitos jovens podem estar preparados para encarar naquele momento, e nesses casos, é possível acontecer uma aparente desordem comportamental. As exigências do nível escolar requerem uma postura mais madura e organizada, o que pode vir de encontro ao desconforto físico e emocional dessa fase, que faz as mãos serem proporcionalmente maiores do que o resto do corpo, o domínio da concentração ser mais seletivo e beneficiar assuntos extra-escolares, os interesses ficarem mais restritos a questões não educacionais. Tudo se intensifica, quando o novo amor eterno e verdadeiro daquela semana se aproxima: o ritmo do coração a bater, o enrubescimento da face, o bambeamento das pernas.

Essa profusão de novidades pode se refletir na diminuição do desempenho escolar, na autoestima, na piora das relações sociais e, em alguns casos, até, em uma infantilização de atitudes.

Os pais de ontem, que tentavam o aperfeiçoamento em suas tarefas, se veem, agora, também afetados de alguma forma por essa nova condição de seus filhos, e tentam descobrir, mais uma vez, entre erros e acertos, o equilíbrio entre “o apertar e o afrouxar”.

A tirar por esse texto, tem-se um cenário sombrio, caótico e fadado ao sofrimento e insucesso. Mas, não é disso que se trata. Sim, crescer dói, aprender pode exigir resiliência e persistência e precisar trilhar caminhos desconhecidos que dão medo. Porém, para aqueles que têm tempo de “aprender a aprender”, os desafios de cada fase se tornam transponíveis. É isso que percebemos na trajetória dos estudantes ou dos pais, na maior parte das vezes.

Entre erros e acertos, chega-se a uma dinâmica personalizada a cada família. Não necessariamente a melhor ou a mais indicada, mas aquela possível de ser feita, naquele momento. Os pais amadurecem também e ficam mais seguros de seu amor, conseguem aprender a melhor forma de lidar com seus filhos e com todas as outras demandas envolvidas no processo de desenvolvimento do estudante.

A cada troca de semestre, alunos retornam à escola mais amadurecidos e, aos poucos, vão aprendendo a aprender os melhores métodos de assimilar a matéria, de organizar seu tempo, seus afazeres e de lidar com os diversos desconfortos típicos da idade, inclusive os que dizem respeito às inúmeras relações humanas que se dão no ambiente escolar.

Se a questão é o tempo, o tempo é relativo, como já dizia Einstein. O que para alguns pode representar uma eternidade, para outros, não. Ao final do tempo de cada um, um bom balanço deverá mostrar que o que foi feito o foi baseado nas melhores escolhas para aquela realidade, para aquela circunstância e para aqueles elementos, visando aos melhores resultados.

Rachele Cristina de Paula Chaves
Assessora Pedagógica de Química