Mais perto dos grandes

Mais perto dos grandes

Colégio Albert Sabin

01 Novembro 2017 | 12h36

Como o contato com a versão original de obras literárias enriquece o programa de Inglês.

Em Nova York, um casal passeia em um domingo de sol quando, ao cruzar a rua, a esposa nota o marido olhar para uma moça bonita. “Cuidado, você vai quebrar o pescoço”, provoca ela. É o início de uma conversa que pode pôr o casamento a perder.

A princípio, o conto The Girls in Their Summer Dresses (“As Garotas em seus Vestidos de Verão”) traz um enredo banal. Sua leitura, no entanto, é tudo, menos desinteressante. Trata-se, afinal, de uma obra do americano Irwin Shaw (1913 – 1984), que, como todo grande escritor, sabia imprimir, mesmo em situações e diálogos prosaicos, nuances da personalidade de seus personagens e significados ocultos por trás de palavras inocentes. Um resumo não faria jus ao seu conto. E é por isso que os alunos da turma de FCE 2 do Sabin o leem no original.

Até 2016, apenas as turmas dos estágios Advanced liam obras de literatura na versão original; antes disso, o Departamento de Inglês adotava livros em versões resumidas (abridged) ou adaptadas para o público infantojuvenil. Este ano, porém, em resposta à demanda dos próprios alunos, obras de mestres como Shaw, Somerset Maugham, Oscar Wilde e Edgar Allan Poe já estão sendo apresentadas na íntegra a jovens leitores das turmas de FCE 1 a 3, alguns ainda no 9º ano do Ensino Fundamental. “Eles mesmos pediram, porque reconheceram que podiam perder algumas sutilezas e elementos de estilo, como ironias, trocadilhos e metáforas”, diz a professora Luzia Araújo.

Além disso, o Departamento deixou de incluir questões relacionadas a essas obras nas avaliações de Inglês, já que, segundo a professora Thaís Mistrello, “já não precisávamos fazer a verificação da leitura, porque eles liam; e isso é ótimo, porque queremos promover o prazer da leitura, não o dever da leitura”. Mais uma razão, portanto, para trabalhar com os textos originais dos grandes escritores.

Em vez de questões na prova, assim, as professoras investiram mais em atividades complementares à leitura, como a pesquisa sobre os autores, a criação de finais alternativos ou a apresentação de peças inspiradas nas obras. Após lerem o clássico The Lottery Ticket (“O Bilhete da Loteria”), de Chekhov, por exemplo, alguns alunos de Thaís no FCE 1 pesquisaram sobre a vida do autor russo (1860–1904); outros, sobre o papel social da mulher na época em que o conto foi escrito – elemento crucial de um enredo em que, ao fantasiar com uma fortuna, marido e esposa passam da esperança à ganância e ao ressentimento um pelo outro. Ainda um terceiro grupo de alunos encenou a história nos tempos atuais.

“Isso torna a leitura muito mais rica, porque toda literatura tem um contexto histórico e social”, diz Luzia. Para além de compreender vocabulário, diz ela, ler grandes obras envolve refletir, interpretar e relacionar o que está escrito com a visão de mundo de cada um. “Ler dessa forma abre novos significados para eles”.