A construção do conhecimento

A construção do conhecimento

Colégio Albert Sabin

28 Dezembro 2015 | 10h00

As primeiras lições de História que uma criança aprende são de sua história pessoal: “Como eu nasci? Como eu era quando bebê?” O primeiro mapa que uma criança aprende a reconhecer é seu mapa corporal: ao ver o contorno do próprio corpo desenhado no chão, ela percebe uma representação gráfica da realidade. Os primeiros gráficos matemáticos ensinados na escola são construídos com os alunos enfileirados, de acordo com critérios simples (meninos e meninas, filas por cores, etc.), e fotografados de um ângulo que permita visualizar os dados quantitativos (“tem mais meninos ou meninas?”, “quantos estão de azul?”).

Nada disso é à toa. Se o primeiro referencial da criança é ela mesma, é por ela que se inicia a construção do conhecimento. É pelos sentidos físicos que começamos a apreender o mundo, é por nos movimentar que adquirimos noções espaciais, é pela vivência de uma rotina que dominamos a ideia de sucessão temporal. E é a partir desse primeiro estágio que se desencadeia um processo que pauta a elaboração de um plano pedagógico: a ordenação dos conteúdos numa sequência progressivamente mais complexa, cada aprendizado servindo de base para o próximo.

Poucas vezes esse processo ficou tão evidente como na mais recente Mostra Cultural Sabin, realizada em outubro de 2015, em que os trabalhos dos alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I foram organizados por disciplina. Cada estande foi montado de forma a evidenciar a evolução dos aprendizados ao longo dos anos, em cada área do saber, do autorreferencial e concreto para o universal e abstrato. “Para nós, o novo modelo foi um grande ganho, por mostrar aos pais a qualidade e os efeitos do nosso trabalho”, diz Dionéia Menin, coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I.

Do autorreferencial ao universal

Começando em si mesmos, alunos aprendem a olhar cada vez mais longe.

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Primeiro, é apenas um círculo imperfeito e alguns traços no papel. Para uma criança de três anos, porém, o desenho representa uma pessoa. “As garatujas dos alunos do Maternal estão no início do trabalho com o esquema corporal”, diz a assessora de Ciências, Adriana Alonso. Segundo ela, a forma como a criança desenha uma pessoa corresponde ao seu grau de conhecimento sobre o próprio corpo e sobre o corpo humano em geral.

Assim, o desenho que, inicialmente, é uma coisa só vai se desmembrando em uma imagem cada vez mais refinada. No Pré I, por exemplo, o aluno já sabe identificar, em si e no papel, cabeça, tronco e membros. No Pré II, o rosto ganha expressões, por meio de variações em olho e boca; braços ganham mãos, mãos ganham dedos. O 1º ano explora os cinco sentidos, até que, no 2º ano, o aluno está pronto para olhar para dentro de si. Vem o estudo sobre micro-organismos e alimentação saudável, sucedido pelo estudo dos sistemas locomotor (3º ano), digestório, respiratório, circulatório (4º ano), urinário, reprodutório e nervoso (5º ano). Da fase da garatuja inicial à representação mais completa e precisa do organismo humano, todo o processo do aprendizado estava retratado no estande de Ciências da Mostra Cultural, em desenhos e projetos de alunos do Maternal ao 5º ano.

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As demais disciplinas seguiam lógica semelhante. O trabalho de História, por exemplo, começa na Educação Infantil como parte da área Natureza e Sociedade. Nessa fase, alunos que ainda mal dominam o conceito de tempo – muito menos o de tempo histórico – investigam sua própria história, perguntando aos pais sobre a origem de seus nomes e sobre como eram ao nascer.

“Temos um projeto do Pré II em que cada aluno recebe um boneco de pano que o representa, confeccionado com as medidas aproximadas em que nasceu”, cita Luciana Vidal, assessora de História e Geografia. “Eles levam os bonecos para casa, para adaptá-los à sua semelhança: colocam cabelos, olhos, roupinhas”. A comparação entre quem são hoje e quem já foram representa um dos primeiros momentos em que eles percebem mais claramente a passagem do tempo.

A partir do Fundamental I, porém, a perspectiva vai se ampliando: da história de cada um, partem para a história de suas famílias e de seu meio social direto, confeccionando árvores genealógicas e relicários de classe, estes últimos com objetos significativos do passado de cada aluno. Só a partir do 3º ano eles entram em contato com a História do Brasil e do mundo.

Já em Matemática, aqueles primeiros gráficos montados com os próprios alunos enfileirados vão sendo substituídos por gráficos que exigem maior grau de abstração e domínio de novas variáveis, como gráficos de barras (comparações de dados estáticos), de linhas (extrapolação de dados estáticos em tendências) e de setores (análise da relação entre as partes e o todo).

Expostos lado a lado na Mostra, os projetos dos alunos ao longo das séries formavam um percurso pelos conteúdos aprendidos em cada área do conhecimento. O modelo não poderia ter dado mais certo. “Recebemos um feedback positivo das famílias”, diz Dionéia Menin. “Eles afirmaram que puderam entender melhor o contexto daquilo que seus filhos tinham aprendido e do que ainda aprenderão”.