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Você tem um diploma? Grande coisa…

Newton Campos

21 Junho 2012 | 12h48

O que vai acontecer com a educação formal quando os cidadãos começarem a ter mais acesso à internet de banda larga? O que vai acontecer quando as pessoas começarem a estudar cada vez mais cursos online, de qualidade, interativos e gratuitos? Quem vai sair ganhando? Quem vai sair perdendo?

O investidor Peter Thiel (fundador do PayPal e guru de tecnologia nos EUA) alega repetidamente que um diploma já não serve para nada. Acho até que parte de sua fama se deve por essa ousada posição. Segundo ele as pessoas começarão a estudar de formas diferentes e os diplomas pouco a pouco perderão seu valor.

Diploma no lixo. Foto de Everaldo Vilela.

Sendo um setor que vai sofrer fortes impactos da terceira revolução industrial – essa da informação, a Educação tem agora seus costumes mais básicos questionados: Vale um diploma realmente alguma coisa? Deveriam ter agora os diplomas data de validade? Como continuar aprendendo durante toda uma vida se os custos da educação formal de qualidade continuam subindo? Mas então como medir a educação informal e/ou individual?

The Economist: The third industrial revolution.

The Economist The third industrial revolution

Complicado, não?

Vou arriscar uma opinião sobre isso. Concordo que o diploma (o título) em si não vale muito. Existirão formas melhores de saber se você merece um emprego ou uma oportunidade profissional do que um papel que certifique que você estudou n horas num determinado lugar.

Mas a experiência transformadora de ter que discutir assuntos relevantes com pessoas inquietas intelectualmente continuará fazendo a diferença na formação das pessoas. Aprendemos muito por imitação e repetição, e a prática de debater assuntos que nos interessem ou interagir com outras pessoas poderá facilmente ser substituída por foros de debate síncronos, ou seja, ao vivo (e em breve em 3D).

Mas esta prática não será substituída jamais por vídeos ou conteúdos exclusivamente assíncronos, mesmo que estes cheguem a ser interativos algum dia (e chegarão a ser).

Ou seja, páginas web inteligentes e especializadas num determinado assunto poderão te ensinar um monte de coisas, mas dificilmente poderão construir argumentos sólidos e fazer correlações capazes de misturar emoções, percepções e perspectivas científicas, financeiras e psico-sociológicas. Talvez em uns 100 ou 200 anos talvez, mas certamente não neste século.

Assim, acho que com o tempo a própria sociedade encontrará ferramentas como as encontradas nas redes sociais (tipo Twitter, Facebook, LinkedIn, etc) para saber se você aprendeu realmente sobre um assunto ou não. E mais: essas redes controlarão se você continua se aperfeiçoando nesse conhecimento ou se parou no tempo depois de ter recebido seu questionado diploma.

O segredo vai estar nas métricas (tipo o site de métrica de reputação online Klout). Acho que pouco a pouco a sociedade e os governos criarão métricas para tudo, principalmente para a capacidade de aprendizagem das pessoas.

Nota adicionada em 27/Junho/2012: Quando escrevi este texto tinha em mente as ciências sociais – onde sempre podemos jogar com métodos como role playing ou de estudos de casos, entre outros. Depois de receber cartas de diversos leitores, percebi que para diversas ciências entram em cena os imprescindíveis exercícios práticos. Para estes exercícios, tenho visto a evolução brutal dos simuladores, que também terão seu papel engrandecidos com o tempo. Ainda assim, reitero que acredito no papel chave da experiência prática no aprendizado.

Nota adicionada em 29/Junho/2012: Outra métrica interessante, levantada pelos leitores, diz respeito às certificações. As certificações são exames que medem nosso conhecimento num determinado assunto, periodicamente. Exemplos: PMP (Project Management Professional) e CFA (Chartered Financial Analyst). São reconhecidos pelo mercado e independem de qualquer sistema educativo formal. A pessoa estuda da forma como achar mais conveniente e vai lá fazer o exame a cada X anos. Este tipo de certificação tende a ter cada vez mais relevância na era da informação “comoditizada”.

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