Uma questão de comunicação e transparência. Banda larga para todos!
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Uma questão de comunicação e transparência. Banda larga para todos!

Newton Campos

16 Junho 2013 | 10h51

Imagine um grupo de 100 pessoas vivendo juntas num determinado povoado. Estas pessoas desenvolverão formas de se entender e viver bem em grupo, inclusive compartilhando a liderança de algumas atividades chaves para a evolução de todos. A comunicação flui entre elas.

Imagine que este grupo cresça para 1000 pessoas. Tudo fica mais complicado, abrem-se brechas para diversos desentendimentos. Minha experiência liderando grupos de pessoas e alunos em diferentes organizações mostra que, na grande maioria das vezes, o mal-entendido é causado por falhas no processo comunicativo (tipo “ouvi dizer que…”).

Fulano diz algo, mas esse algo chega ao outro lado da comunidade como um elogio ou uma afronta a diferentes grupos. Sicrano faz algo, mas esse algo é percebido como positivo ou negativo por diferentes grupos. Imagine agora o efeito destas falhas estruturais naturais da comunicação num grupo de 1 milhão ou 100 milhões de pessoas vivendo juntas.

É assim que surgem, de forma quase natural, as regras e as normas de boa conduta. E surgem, também de forma quase natural, os líderes que têm o poder de fazer com que estas regras sejam seguidas. Estes líderes recebem o monopólio do uso da força para legitimar que estas regras sejam seguidas. E isso é geralmente bem visto pela sociedade.

Lembre-se que estamos todos, SEMPRE, vivendo à beira do caos total. No caos total, é cada um por si, e as liberdades conquistadas pela vida social em harmonia vão todas por água abaixo. E nesse cenário, quem normalmente ganha é aquele que impõe melhor o medo, ou seja, aquele que assusta e mata mais eficientemente.

Manifestações em Brasília (Foto: André Coelho, Agência O Globo)

Na busca por esta harmonia, desenvolveram-se relações de troca de interesses entre líderes políticos e muitos líderes da comunicação (e da Igreja). O jornal ou canal de TV (ou padre ou pastor), fala bem ou mal de um líder político, e este lhe favorece ou penaliza de alguma forma.

Mas o mundo está mudando (embora no Brasil muitos ainda continuem seguindo diversas ordens religiosas idiotas por conveniência ou inocência). Com a comunicação crescentemente entrelaçada entre os meios de comunicação e os próprios cidadãos, os líderes dos meios de comunicação têm perdido muito poder de barganha frente aos líderes políticos. E vão perder cada vez mais. Quanto mais Internet de banda larga chegue à população, menos importantes serão os meios de comunicação tradicionais. E menos os políticos poderão explorar essa relação de interesse com os grandes líderes da mídia.

Em uma ou duas décadas não existirá outra forma de fazer política ou de ser líder de um meio de comunicação do que sendo transparente. Em breve até o Papa terá que ser transparente correndo o risco de afundar junto com a Igreja Católica em caso contrário.

O meios que forem mais transparentes conseguirão mais leitores, os políticos que forem mais transparentes conseguirão mais votos, as religiões que forem mais transparentes conseguirão mais fiéis e obviamente as empresas que forem mais transparentes conquistarão mais clientes.

Não deixemos que o caos domine a agenda de manifestações porque senão daremos a desculpa perfeita para que o avanço da Internet e da comunicação em rede sejam freados. E ainda precisamos de algum tempo para que a banda larga se alastre enquanto velhacos como Renan Calheiros e sua corja de aduladores e discípulos sejam vítimas do novo mundo da transparência.

E no único parágrafo que falarei diretamente de educação hoje: Barack Obama anunciou semana passada o objetivo de ter 99% de todas as escolas dos EUA com conexão de banda larga no menor período de tempo possível (clique aqui para ler notícia). Este legado seria memorável se ao mesmo tempo ele não tivesse autorizado sua polícia (a CIA) a implantar o programa mais macabro já desenvolvido para acessar a privacidade de todos os seus cidadãos.

Neste novo século: ou a transparência virá para ficar, ou voltaremos ao caos e ao cada um por si.

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PS1: Como leitura complementar, recomendo a leitura da notícia seguinte. O sociólogo e professor espanhol Manuel Castells, quem estava em um auditório na própria Av. Paulista no dia 11 de Junho de 2013, comenta sobre as redes de indignação e esperança que se formam – e seguirão formando-se daqui pra frente.

Manuel Castells analisa as manifestações em São Paulo.

PS2: A importância da banda larga está associada à capacidade de transmitir videos e fotos em quantidade. E os vídeos carregam hoje parte das mensagens que os livros – muitas vezes proibidos – carregavam antigamente. Hoje, ainda são poucas as pessoas que podem ver e produzir vídeos por conta própria.

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