Uma geração inteira poderá ter que aprender sozinha.
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Uma geração inteira poderá ter que aprender sozinha.

Newton Campos

25 Junho 2013 | 15h46

A arte de ensinar está ficando cada vez mais complexa.

Recentemente, aqui na universidade onde leciono, tive o prazer de conhecer a um dos fundadores da página web www.guiadacarreira.com.br. Mas sua história merece um post à parte.

O caso é que, através dele, conheci uma empresa que tem bastante presença no setor de educação norte-americano, a QuinStreet. A QuinStreet desenvolve e explora uma complicada tecnologia de interpretação da navegação dos usuários da internet para colocar potenciais alunos em contato com escolas e universidades.

Há cerca de dois anos, a empresa decidiu entrar no Brasil, após observar o grande potencial de crescimento do setor da educação no país. Esta semana entrevistei por Skype a Pedro Yue, gerente geral da operação no Brasil. Pedro vive entre São Paulo e São Francisco, promovendo um intercâmbio muito interessante de conhecimentos sobre tecnologias aplicadas ao setor da educação entre ambos os países.

Pedro Yue: Executivo traz novidades mercadológicas à educação superior brasileira.

1) Desde quando você está envolvido com o mundo da educação?
Há muito pouco tempo, principalmente desde os últimos 2 anos, desde que decidimos abrir nosso escritório no Brasil.

2) De onde surgiu o interesse da empresa no mercado brasileiro de educação?
O Brasil possui hoje 4 dos 10 maiores grupos de educação do mundo. Há uma demanda muito grande por formação. Além disso, o brasileiro gasta bastante tempo na internet, mais até do que se gasta em muitos países desenvolvidos. O público brasileiro também é rápido em adotar novas tecnologias. Nossa empresa sentiu-se atraída por um mercado com tanto potencial.

3) Você poderia dar exemplos de serviços e produtos da sua empresa?
Claro. Temos mais de 5 milhões de usuários utilizando nossas páginas de internet todos os meses. Estudamos a navegação destes usuários para poder ajudar aos próprios usuários (a encontrar cursos de seu interesse) e escolas e universidades (a encontrarem alunos de seu interesse). Estes são, por exemplo, alguns destes sites que administramos:

www.mundovestibular.com.br
www.guiadacarreira.com.br
www.passeiweb.com

4) Existe um certo debate sobre se este momento da educação é um momento pré-revolucionário, revolucionário ou apenas reflete uma evolução normal e incremental do setor. Como executivo recém-chegado ao setor da educação, qual é a sua percepção sobre isso?
Acho que a Internet como um todo é revolucionária. E tudo que é impactado por ela tende a mudar. Mas os avanços que estão ocorrendo no mundo da educação me parecem mais evolucionários do que revolucionários. Por que a nossa capacidade de se adaptar é mais lenta do que a evolução das tecnologias em si.

A arte de ensinar está ficando cada vez mais complexa. Os professores devem se adequar cada vez mais rapidamente à realidade dos alunos. As crianças, por exemplo, recebem cada vez mais estímulos tecnológicos, cada vez mais jovens.

5) Quantidade x Qualidade. Esta dicotomia marcou a educação tradicional (em locais físicos) por séculos. Isso pode mudar com a utilização de novas tecnologias aplicadas à educação?
A qualidade já está comprometida. Há pouco tempo, participando de um encontro do setor, ouvi um estudioso dizer que é possível que tenhamos uma geração inteira relegada a aprender praticamente sozinha, pois não poderá se apoiar muito nas metodologias e nas práticas pedagógicas existentes. E isso está ocorrendo em todo o mundo.

O interessante da internet é que ela te permite testar inovações pedagógicas em grande escala. Dá para eliminar rapidamente as ideias que não funcionam e evoluir rapidamente com aquelas que sim funcionam.

6) O que você acha da educação a distância (EAD) no Brasil?
Nos Estados Unidos a educação a distancia tem quase o mesmo preço da educação convencional. Lá, ela é vendida muito mais pelos benefícios da comodidade e da praticidade. Entende-se que boas universidades oferecerão bons cursos, presencial ou a distancia.

No Brasil, a EAD acabou se tornando a opção “mais barata” da educação convencional. Criou-se um estranho círculo vicioso: paga-se menos pela EAD, há menos recursos para investir nos cursos via EAD, há menos qualidade nos cursos via EAD, paga-se menos pela EAD…

Assim, parece que aqui a transição será mais lenta e mais difícil. Lá, já há diversos cursos a distancia de qualidade inquestionável.

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