Teletransportando nossos alunos: O uso da Realidade Virtual em sala de aula.
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Teletransportando nossos alunos: O uso da Realidade Virtual em sala de aula.

Newton Campos

22 Setembro 2017 | 09h52

Há muito tempo desejava organizar esta atividade de “teletransporte” em sala de aula. Finalmente consegui e descrevo aqui alguns aprendizados iniciais. Não foi algo trivial. Além da tecnologia em si, que segue em franca evolução, temos que conseguir combinar o objetivo de aprendizagem do curso com o escasso conteúdo ainda disponível no formato de Realidade Virtual.

Foi na ABStartups Associação Brasileira de Startups, que conheci duas startups de Realidade Virtual com foco na educação: a Beenoculus e a Evobooks. E mesmo tendo visitado e conversado com seus fundadores inúmeras vezes, não foi fácil desenhar uma aplicabilidade da tecnologia para as minhas aulas, que ocorrem sempre no campo do empreendedorismo.

 

Um dos grandes diferenciais da Realidade Virtual é o seu efeito de “teletransporte”. Quando você veste a tecnologia (óculos e áudio), a emoção despertada por “enganar” nossos sentidos é incrível, é única. Você realmente sente que está no local para onde foi levado. Seu cérebro jura que você realmente está no interior do Coliseu romano ou no meio do desastre da represa da Samarco em Mariana, Minas Gerais.

Na educação, a vantagem do uso desta emoção é óbvia. Não podemos continuar relegando à tecnologia um papel minoritário na educação do século 21. Numa matéria chamada “Comportamento Empreendedor” que leciono para alunos do curso de graduação da FGV de São Paulo terminei por desenhar a seguinte experiência:

1º) Alunos experimentam a tecnologia, “teletransportando-se” para o local retratado no conteúdo, neste caso, a tragédia do rompimento da represa da Samarco em Mariana (documentário “Rio de Lama”, de 10m, gravado em formato de Realidade Virtual); 2º) Alunos debatem diferentes tipos de aplicação para esta tecnologia; e 3º) Alunos definem um novo modelo de negócio que poderia existir apoiando-se no uso desta tecnologia.

Obviamente as possibilidades são inúmeras, mas numa aula de “Comportamento Empreendedor” meu objetivo foi explorar algumas das formas pelas quais os empreendedores iniciam seus negócios, muitas vezes baseados em tecnologias emergentes como esta. A conclusão do debate foi de que não é a tecnologia em si que faz uma iniciativa empreendedora, mas sim do uso que faz desta tecnologia, com modelos de negócio sustentáveis e percebidos como úteis ou inovadores.

Embora o exercício tenha funcionado e animado o grupo, penso que procedimentos e tarefas mais bem definidas poderiam ter funcionado melhor. Por exemplo, ao invés de pedir que pensassem em aplicações desta tecnologia em geral, poderia ter pedido que cada grupo trabalhasse com aplicações específicas para as áreas de saúde, segurança, educação, etc.

E no seu caso? Como acha que este “teletransporte”, viabilizado cada vez mais pela Realidade Virtual, pode fazer com que seus alunos, funcionários ou parceiros fiquem mais felizes ou engajados?