Por Startups brasileiras de EdTech mais fortes. Utopia?
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Por Startups brasileiras de EdTech mais fortes. Utopia?

Newton Campos

10 Setembro 2015 | 01h48

Muito antes de retornar ao Brasil, no final de 2013, eu já tinha curiosidade pelo desenvolvimento do mercado de Educação e Tecnologia no país. Desde então este interesse apenas cresceu. Após diversas reuniões formais e informais sobre novas empresas e iniciativas nesta área, achei que fosse interessante juntarmos, sob uma mesma bandeira, alguns dos principais atores desta indústria emergente: os empreendedores de EdTech e quem lhes apoiam. O fato é que diversos fundadores de Startups de EdTech pelo Brasil afora que estão vislumbrando novas formas de construir ou transferir conhecimento através do uso de tecnologias da informação e comunicação (TIC).

Em 2050, os processos de construção ou transferência de conhecimento serão completamente diferentes do que vínhamos praticando nos últimos 5 mil anos. E não porque os egípcios, persas, gregos ou romanos não mereçam seu destaque na história da educação. Até hoje utilizamos suas lógicas na forma como ensinamos ou aprendemos. Mas em menos de poucas décadas estaremos aprendendo melhor e mais rápido com a “forma norte-americana” de ensinar, trazendo resultados práticos enormes para o desenvolvimento de uma vida mais harmoniosa entre todos os seres que habitamos este planeta (animais, políticos e extremistas religiosos incluídos).

Startups de EdTech

Neste sentido, e por interesse estratégico da Associação Brasileira de Startups (ABS) em representar cada vez melhor toda a classe de empreendedores que fundam empresas inovadoras e audaciosas (Startups), fundamos em Março deste ano o Comitê de EdTech da Associação, com reuniões mensais ou bimestrais que discutem, inicialmente, o próprio propósito da iniciativa e em breve desafios comuns e best practices.

“O que deve fazer o Comitê de EdTech da ABS?” Como as respostas possíveis para esta dúvida inicial são múltiplas e complexas, resolvemos primeiro localizar e conhecer todas as Startups de EdTech do Brasil. Assim poderemos saber o que fazer e o que precisam para crescer e mudar a realidade educacional do país para melhor.

Mas para entrevistarmos todas estas Startups de forma profissional tivemos primeiro que desenvolver uma taxonomia (tabelas de classificação) para um setor que ainda está em formação. E isso não tem sido fácil: “O que é EdTech? Quantos tipos conteúdos educacionais existem? Quem são os usuários deste conteúdo?” Pois bem, estamos agora mesmo neste processo. Mas mesmo neste início tão inicial já observamos algumas coisas interessantes, que quero compartilhar aqui com os leitores deste blog:

1) Em Setembro de 2015 estimamos que existam algo entre 250 e 350 Startups de EdTech no Brasil;

2) As startups (mais jovens) tendem a desenvolver conteúdo (texto, games, vídeos, etc.) enquanto as empresas mais estabelecidas tendem a desenvolver plataformas (sistemas diversos de gestão de conhecimento);

3) Nas Startups, ainda há um foco polarizado entre conhecimento síncrono (ao vivo, tanto presencial como a distância) ou conhecimento assíncrono (textos, vídeos, etc.), com pouca ênfase no formato misto ou blended;

4) Os governos em geral (municípios, estados e união) são os grandes detentores de orçamentos educacionais no Brasil e enquanto não se engajarem numa melhora radical da educação não haverá milagre advindo das Startups, e

5) Se duradoura, a atual crise econômica eliminará uma parte relevante das Startups atuais deste ecossistema, promovendo principalmente aquelas que se dedicam a diminuir custos operacionais de escolas e universidades (“fazer mais com menos”).

Muito mais virá por aí quando terminarmos este trabalho. Se você conhecer alguém que esteja abrindo uma Startup de EdTech ou for você mesmo o fundador ou fundadora de uma, cadastre-se aqui: www.edtechbrasil.com.br

Pode até ser utópico pensar que conseguiremos construir uma nova indústria da educação no Brasil, ainda mais enquanto vivemos este grande processo de “Argentinização” (no mau sentido) da economia brasileira, mas como gritava à vezes um jogador ignorante – e não por isso mal educado – das peladas nas quais eu jogava quando adolescente na praia de Copacabana: “Pessoal, vamos lá, a esperança é a única [sic]* que morre!”

* Na realidade ele queria dizer: “Pessoal, vamos lá, a esperança é a última que morre!” Ou será que eu não entendia sua ironia?!?

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