Orgulhemos-nos da educação profissional ou tecnológica
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Orgulhemos-nos da educação profissional ou tecnológica

Newton Campos

13 Agosto 2013 | 11h50

Convenhamos, a educação profissional ou tecnológica não difere muito da educação superior. Nem no Brasil nem aqui na Europa. Tive a oportunidade de passar por ambas as experiências e adorei a formação tecnológica (na época o título chamava-se “Tecnólogo em Processamento de Dados” e o fiz junto com então chamado segundo grau). Foi uma formação não só divertida e estimulante intelectualmente, mas também útil para toda a minha vida.

Porém, inexplicavelmente – acho que por alguma inércia cultural – as pessoas e as organizações, tanto públicas como privadas, ainda tendem a dar mais valor para um curso superior do que para um curso profissional ou tecnológico. Isso está errado.

Aqui na Espanha e em Portugal acontece o que não queremos que aconteça no Brasil ou na Angola dos próximos anos: milhares de advogados, engenheiros e médicos “orgulhosos” de seus títulos que não servem para muita coisa. Estão desempregados ou sub-empregados. Ao mesmo tempo, faltam programadores de computador, eletricistas ou operadores de máquinas agrícolas (que em muitos casos já ganham mais do que os primeiros).

Educação superior nos Estados Unidos. Adaptado de Marsmettnn Tallahassee (Flickr).

Por definição, a educação profissional ou tecnológica tende a ser muito mais prática, e voltada para o uso no curto prazo, em atividades do dia-a-dia. A educação superior, por outro lado, tende a encher-nos de teorias frequentemente inaplicáveis, que você talvez encontre utilidade depois de muitos anos de prática profissional (quando na verdade você até já esqueceu o aprendido na faculdade).

Mas o mais importante é saber que um país inteiro pode realmente ser reinventado através da educação profissional e tecnológica.

Na semana passada conheci um diplomata suíço de férias aqui em Madri e conversamos muito sobre este assunto. Nunca vi tanto orgulho sobre um sistema de formação profissional. Na Suíça, assim como na Alemanha ou nos países escandinavos, a maioria da população escolhe o ensino profissional como primeira opção de formação após o ensino médio. E ninguém se sente diminuído por isso. Pelo contrário, sabemos que estes países contam com um grande capital humano para o desenvolvimento de novos materiais, maquinária industrial ou novos processos produtivos. A inovação chega constantemente da base produtiva e não de universidades ou centros de pesquisa muitas vezes desvinculados da realidade.

Nesta última segunda-feira terminaram as inscrições para o programa brasileiro SiSUTEC (Sistema de Seleção da Educação Profissional e Tecnológica). Li artigos comentando sobre a falta de importância que o governo dá aos cursos profissionalizantes. Pode ser, mas acho que somos nós cidadãos quem devemos dar mais valor aos professores e alunos que optam por ensinar e aprender em cursos educação profissional ou tecnológica.

Junto aos cursos oferecidos pelas entidades do chamado “Sistema S” (SESI, SESC, SENAC e SENAI) podemos dizer que o Brasil tem potencial para tornar-se referência em educação profissional e tecnológica.

Mas temos que fazer nossa parte, prestigiar e estimular estes canais de formação em nossas famílias e em nossas empresas.

Você é jovem? Pois pense muito seriamente na educação profissional ou tecnológica para os primeiros anos de sua carreira. Você não se arrependerá.

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