Na intimidade… do mundo.
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Na intimidade… do mundo.

Newton Campos

03 Julho 2013 | 05h37

O que acontecerá quando alunos e professores começarem a usar Google Glasses?

Esta é uma pergunta que tem sido feita no ambiente acadêmico aqui na Europa (e em muitos outros também) desde que o aparelho se tornou realidade e começou a circular pelas mãos de usuários finais desde o começo deste ano.

Google Glass

Google Glass

Cadastrei-me para receber um, mas não tive sorte. Porém, dezenas de vídeos subidos por usuários ao Youtube já nos permitem ver (e imaginar) as possibilidades que aparecem com o uso desta tecnologia. O impacto social será enorme.

O aparelho permite não apenas gravar e publicar (ao vivo ou depois) qualquer cena que você veja durante o dia, mas também saber a localização exata da foto ou vídeo gravado bem como enviar e receber mensagens diversas, navegar com o GPS e obter diversos tipos de informação (clima, trânsito, lojas, etc) sobre a localização onde está.

Não se sabe como será a adoção do aparelho, mas já se prevê a proibição do uso dos óculos em diversos ambientes: banheiros, reuniões de trabalho, salas de aula e certamente em reuniões com políticos (mmm… poderíamos vislumbrar leis que obrigassem o uso de óculos como estes em reuniões com políticos?!?).

Enfim, voltemos a possíveis impactos na academia. Salto a educação infantil e adolescente (imagine possíveis efeitos sobre o bullying…) e vou direto ao ambiente universitário e de pesquisa.

Desde o ponto de vista dos alunos
Alguns de vocês se lembrarão da época em que gravávamos as aulas com fita-cassete para escutar depois. Alguns professores não gostavam, outros não se importavam. Algo similar porém mais complicado deve acontecer aqui. Aqui o aluno poderá não apenas gravar a aula mas também emitir a aula assistida ao vivo, como já o fazem com seus smart phones + Skype em alguns casos. E embora muitas escolas tentem evitar seu uso – como fizeram inicialmente com os smart phones e tablets, outras os liberarão com algumas reticências.

Em alguns casos, os alunos, em grupo ou não, poderão gravar partes dos processos de resolução de tarefas, demonstrando mais facilmente como o exercício foi solucionado.

Tal como o fazem hoje com seus cadernos ou tablets, os alunos poderão usar os óculos como fonte de notas anteriores, consultando a informação ao mesmo tempo em que interagem com colegas e professores.

Desde o ponto de vista dos professores
Para as ciências sociais e biológicas a ferramenta será incrivelmente útil e inovadora para uso em pesquisa. Permitirá entrevistar (e gravar) as pessoas estudadas sem gerar o incômodo gerado pelas câmeras tradicionais. Sociologia, Antropologia, Psicologia, Medicina… Pesquisadores de diversos campos poderão desenhar novas formas de realizar pesquisa baseando-se no uso dos óculos. Por exemplo, médicos poderão deixar os óculos com seus pacientes e pedir que gravem e enviem imagens de momentos específicos durante a evolução de suas doenças.

Com o apoio providencial da telinha dos óculos, os professores também poderão consultar suas notas ao mesmo tempo em que desenvolvem suas aulas. Neste uso, imagino que os óculos tenham grande potencial para a formação de novos professores.

Enfim, poderíamos ficar imaginando mais usos da ferramenta durante várias horas, mas apenas saberemos a real dimensão que esta nova forma de “vestir” informações terá para a construção e troca de conhecimento em alguns anos.

Mas vá pensando nas possíveis consequências, porque em algum momento nossas aulas terão que mudar mais ainda…

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