Empreendedores educadores: Helena Fragomeni
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Empreendedores educadores: Helena Fragomeni

Newton Campos

27 Setembro 2012 | 10h19

Como o ambiente de estudo influencia no formato do que vai ser estudado?

Com este post continuo apresentando ao público leitor do Estadão casos de empresários e empreendedores que fundaram iniciativas de sucesso no ramo da educação. Desta vez conversei com a Helena Fragomeni, fundadora da Asterisco, empresa de consultoria na área de treinamento corporativo e educação a distância. A entrevista foi feita por Skype, numa conexão Madrid – Rio de Janeiro, na semana passada.

Helena Fragomeni

Acima: Helena Fragomeni

A Helena acumula 12 anos de experiência no setor. Fez Desenho Industrial (Comunicação Visual) na PUC-Rio e MBA na FGV-RJ, especializado em Negócios na área de Tecnologia da Informação.

Sua empresa tem crescido mais de 100% ao ano e atua principalmente prestando serviços aos departamentos de treinamento e às “universidades” corporativas de médias e grandes empresas. Segundo ela, atualmente há mais de 250 universidades corporativas no Brasil.

Estes clientes normalmente precisam treinar seus funcionários em questões muito específicas, que requerem a ajuda dos pedagogos e funcionários de sua empresa na criação de cursos, materiais didáticos, livros interativos, etc.

Aqui resumo minhas perguntas e suas respostas:

1) Muito do conteúdo que vocês desenvolvem hoje são adaptados para o ensino à distância (EAD). Como se decide que parte do curso vai para a parte presencial e qual parte vai para a parte online do curso?
Segundo a Helena, temos que analisar todos os pedaços do conteúdo e ver o que deveria ser feito presencialmente ou a distância. Isso vai depender de onde estão os alunos e de como é o dia-a-dia deles no ambiente de trabalho. É muito diferente preparar um conteúdo para pessoas que passam seu tempo viajando ou para pessoas que estão trabalhando sempre na mesma cidade.

Depois que chegamos a uma conclusão clara sobre as partes presenciais ou a distância do curso, devemos responder às seguintes perguntas: Como deveríamos trabalhar este conteúdo para que ele seja atrativo e estimulante a distância? Quais mídias seriam melhores para transmitir este conhecimento a distância: vídeo, jogo, podcast ou outra(s)?

2) Quais são os principais desafios do setor atualmente?
As mudanças rápidas e constantes nas tecnologias atreladas à educação. Estar atualizado se torna um grande desafio, ainda maior para as empresas.
Outros desafios específicos do Brasil são as legislações sobre direitos autorais e tributação. Por conta disso, ainda é muito difícil publicar livros interativos ou produtos com conteúdo multimídia no Brasil.

Ela lembra que o ITunes-U, por exemplo, ainda não conseguiu superar as barreiras burocráticas brasileiras para publicar um grande conteúdo de livros e classes em português.

3) E para o futuro? O que deve vir pela frente?
A Helena acredita que a área de entretenimento ainda pode contribuir muito para a área de educação. Estamos apenas começando a explorar o potencial da combinação entre entretenimento e educação no mundo.

No futuro, haverá jogos, simuladores, filmes e músicas educacionais incrivelmente bem produzidos, com resultados muito positivos sobre a educação das crianças, dos jovens e dos adultos.

Nesta hora me lembrei de uma empresa que conheci aqui em Madri que ensina e treina pessoas através de ensaios de peças teatrais. É muito interessante pedagogicamente, embora seja pouco transladável ao ensino a distância.

Esse setor é demais!

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